Faltam 24 dias para o primeiro turno das Eleições 2026. Enquanto parte dos eleitores já chega à reta final com o voto definido, outros ainda acompanham debates, entrevistas e propostas antes de escolher todos os nomes que levarão às urnas em 4 de outubro.
No Amazonas, a disputa pelo governo está definida com sete candidaturas deferidas pela Justiça Eleitoral: Cabo Daciolo (Mobiliza), David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Progressista).
No dia da votação, porém, a escolha vai muito além do Executivo estadual. O eleitor deverá votar para deputado federal, deputado estadual, duas vagas para o Senado, governador e presidente da República. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro e eventual segundo turno, para presidente e governador, está previsto para 25 de outubro.
Com a campanha entrando nas últimas semanas, O Convergente ouviu eleitores para saber o que ainda pesa na decisão do voto, quais problemas consideram prioritários para o Amazonas e até que ponto debates, entrevistas e propaganda eleitoral podem alterar escolhas já feitas. As respostas mostram um cenário diverso: há quem já tenha escolhido todos os candidatos, quem ainda procure nomes para determinados cargos e quem admita que pode mudar de posição até chegar à urna.
Voto definido, mas campanha ainda é acompanhada
A estudante de Medicina Ayssa Carvalho afirma já ter definido seus candidatos, mas conta que acompanha os debates mesmo quando possui uma preferência formada desde a pré-campanha.
“Geralmente, na pré-campanha, quando começam a circular os nomes dos candidatos ao Poder Executivo, eu já tenho uma preferência pelos que defendem os mesmos ideais que os meus, mas gosto muito de assistir aos debates porque o cenário pode mudar”, explicou.
Para ela, a propaganda eleitoral ganha importância especialmente nas disputas proporcionais, em que existe um número maior de candidatos e muitos nomes ainda são desconhecidos do eleitor.

Ayssa aponta a saúde como uma das principais prioridades para o próximo governo. A estudante cita a espera por procedimentos no Sistema de Regulação (Sisreg), a estrutura hospitalar, a valorização dos profissionais e a necessidade de ampliar o atendimento especializado.
“Por atuar na área da saúde e acompanhar de perto as dificuldades enfrentadas, acredito que seja o que mais é preciso priorizar. […] A fila do Sisreg só aumenta”, afirmou.
A bacharel em Psicologia Ana Pinheiro vive situação diferente. Ela já decidiu os votos para presidente, governador e uma das duas vagas ao Senado, mas ainda analisa opções para o segundo voto de senador e para deputado federal e estadual.
“Para os três cargos que citei, meu voto já está definido. Ainda estou em dúvida para a segunda vaga do Senado e estudando candidatos a deputado federal e estadual”, contou.
Ana considera debates e entrevistas ferramentas importantes para conhecer as candidaturas. “São importantes para nos ajudar a conhecer melhor os candidatos, esclarecer dúvidas, conhecer propostas e ver quais estão mais alinhados com a minha maneira de pensar”, disse.
Saúde aparece entre as principais preocupações
A saúde pública se repete nas respostas de diferentes entrevistados.
Para Ana Pinheiro, um dos problemas está na sobrecarga dos serviços oferecidos na capital. Ela defende a ampliação da estrutura no interior como forma de reduzir o deslocamento de pacientes para Manaus.
“Espero um governador experiente, que enxergue as necessidades da saúde do estado, com novos hospitais regionais no interior para não sobrecarregar a capital, que pense na crise climática e aja antecipadamente, e que valorize e invista na cultura”, afirmou.

O administrador Felipe Silva também já definiu seu voto e diz que debates, entrevistas e propaganda eleitoral não interferem na decisão. Para ele, o próximo governo deveria priorizar qualificação profissional ligada às novas tecnologias, saúde e infraestrutura.
“Que ele foque principalmente no fortalecimento das políticas básicas, como educação e saúde, construindo novos hospitais e modernizando os que já tem, para assim diminuir a fila do Sisreg”, afirmou sobre o que espera do próximo governador.
Já a professora Socorro Duarte afirma estar com a escolha completamente definida e também não considera a propaganda determinante.
“Meu voto, com certeza, está totalmente definido”, disse. Ao apontar prioridades, ela defendeu a ampliação de “políticas públicas em todos os setores, especialmente na área de saúde, educação e ambientais”.
Infraestrutura e mudanças climáticas também entram no debate
Nem todas as preocupações estão concentradas nos serviços de saúde. Infraestrutura, integração do interior e impactos das mudanças climáticas também aparecem entre os fatores considerados pelos eleitores.
A administradora Kadyja Vieira afirma que já definiu sua intenção de voto para o Governo do Amazonas, mas continua acompanhando o desenvolvimento da campanha.
“Além das campanhas, também observo o histórico de atuação e as pautas que cada candidato defende”, afirmou.
Para Kadyja, as condições de infraestrutura ganham uma dimensão ainda maior diante dos extremos climáticos enfrentados pelo estado.
“Todos os anos enfrentamos impactos cada vez mais severos das mudanças climáticas, como secas históricas e dificuldades de acesso aos municípios do interior. Muitas comunidades ficam isoladas e sem o suporte necessário”, destacou.

Ela afirma que considera difícil alterar sua escolha a menos de um mês da votação, embora continue acompanhando os acontecimentos da campanha.
O professor Dennis Guedes, por sua vez, ainda não definiu todos os candidatos. Entre os temas que considera relevantes estão clima, preço das passagens aéreas e combustível.
“Ainda há chances de mudar o voto”, afirmou. Sobre o próximo governador, Dennis espera que “lute por uma qualidade de vida aceitável do amazonense”.
Quem ainda está decidindo
Enquanto parte dos entrevistados diz estar com a escolha consolidada, outros chegam aos últimos 24 dias de campanha sem uma definição.
A corretora Kamile Nascimento afirma que prefere esperar antes de tomar uma decisão.
“Ainda não decidi, mas estou de olho e avaliando. Quero escolher com responsabilidade, sem pressa”, contou.
Nesse processo, os debates estão entre os instrumentos utilizados para avaliar os candidatos.
“Eu curto ver os debates porque sempre tem alguma fala que revela o rumo do candidato. Mas tento não comprar tudo de primeira. Gosto de comparar, perguntar e entender com calma. Estou de mente aberta e quero acompanhar melhor as propostas antes de decidir”, explicou.

A contadora Adrianny Duarte também ainda não decidiu. De acordo com ela, é importante separar o peso dos diferentes formatos da campanha: considera debates e entrevistas relevantes, mas diz não ser influenciada pela propaganda eleitoral.
“Os debates e entrevistas, sim. Propaganda eleitoral, não”, afirmou. Para Adrianny, segurança e saúde pública deveriam receber atenção prioritária do próximo governo.
Sobre o próximo governador, espera alguém que “vá direto nos principais problemas, sem desculpas ou enrolação, e que escute a voz do povo”.
Já a mercadóloga Lívia Caetano afirma que já escolheu seu candidato, mas admite que a decisão ainda pode mudar até o primeiro turno. Para ela, debates, entrevistas e propaganda eleitoral ajudam no processo de avaliação das candidaturas.
Lívia também aponta a saúde como a principal preocupação para o próximo governo do Amazonas. Sobre o que espera da próxima gestão estadual, a mercadóloga cita investimentos tanto na estrutura quanto nos profissionais.
“Que ele melhore a saúde do Estado e invista na infraestrutura dos hospitais e em profissionais”, afirmou.
Indecisos ganham importância na reta final
A existência de eleitores que ainda não escolheram todos os candidatos ganha peso à medida que a campanha se aproxima de outubro.
Em análise feita anteriormente por O Convergente, o cientista político Helso Ribeiro avaliou que esse grupo tende a ser disputado de forma mais intensa pelas campanhas, especialmente em cenários competitivos.
“É claro que os indecisos são sempre cobiçados por todos os candidatos. […] Nessa eleição, a gente está vendo quatro candidatos muito, muito próximos. Então, trabalhar em cima dos indecisos é uma boa dica e eles podem ajudar a levar alguém para o segundo turno”, avaliou.
Helso ressalta, entretanto, que os indecisos não formam um bloco homogêneo. Isso significa que uma redução desse grupo não representa transferência automática de votos para uma única candidatura.
“Se você pega, vamos lá, 100 pessoas indecisas, é claro que elas não vão se direcionar em cima de um mesmo candidato, porque elas têm pensamentos distintos”, explicou.
Segundo o cientista político, a tendência natural é de redução da indecisão conforme a votação se aproxima, embora uma parcela possa chegar ao dia da eleição sem escolher um candidato, optando pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.
Debates e propaganda ainda podem mexer com o eleitor?
As respostas ouvidas nas ruas mostram que a influência da campanha varia significativamente. Para alguns, debates e entrevistas são decisivos para comparar candidatos; para outros, a escolha já está consolidada.
A especialista em pesquisa qualitativa e comportamento eleitoral Érica Lima Aguiar avalia que a propaganda eleitoral tende a produzir efeitos diferentes conforme o grau de convicção de cada eleitor.
“O horário eleitoral ainda influencia, principalmente os indecisos e os eleitores com preferência frágil. Para quem já está decidido, funciona mais como reforço do voto”, explicou.
A especialista afirma que, para candidatos conhecidos do eleitorado, a reta final pode servir principalmente para modificar percepções já existentes, reduzir pontos de rejeição e reforçar uma narrativa.
Nesse processo, o sucesso de uma campanha não precisa aparecer imediatamente na intenção de voto. Indicadores como confiança, lembrança das mensagens e redução da rejeição também ajudam a medir mudanças no comportamento eleitoral.
“Na pesquisa qualitativa, um programa eficiente é aquele que gera identificação, transmite autenticidade, apresenta propostas claras, fortalece a confiança e permanece na memória do eleitor”, afirmou.
24 dias para decidir
O calendário eleitoral deixa pouco mais de três semanas entre este momento e a abertura das urnas. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Se necessário, o segundo turno para presidente e governador será em 25 de outubro.
Até lá, caminhadas, comícios, entrevistas, debates, propaganda no rádio e na televisão e conteúdos nas redes sociais continuarão disputando a atenção dos eleitores.
A 24 dias do primeiro turno, a campanha entra justamente no período em que essas dúvidas começam a se transformar em escolhas. Para os candidatos, conquistar quem ainda está aberto à mudança pode definir quem seguirá para uma eventual segunda rodada.
Para o eleitor, as próximas semanas representam a última etapa para comparar propostas e decidir os seis votos que serão registrados na urna em outubro.
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