O papa Leão XIV afirmou nesta sexta-feira (16) que a fome é causada principalmente pela falta de vontade política e de solidariedade coletiva. Em mensagem divulgada durante as celebrações do Dia Mundial da Alimentação, o pontífice classificou como “intolerável que o pão seja considerado um privilégio” e defendeu o acesso à alimentação como um direito humano fundamental.
A mensagem foi lida pelo monsenhor Fernando Chica Arellano, observador permanente da Santa Sé junto aos organismos das Nações Unidas em Roma, durante a cerimônia global realizada na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na capital italiana.
No documento, Leão XIV alertou para o uso dos alimentos como instrumentos de pressão geopolítica e de especulação financeira. O papa também condenou a utilização da comida como arma de guerra e afirmou que impedir o acesso aos alimentos ou destruir os meios de produção representa uma grave ofensa à dignidade humana.
“Em uma era caracterizada por um progresso tecnológico sem precedentes, é intolerável que o pão seja considerado um privilégio e a água, uma mercadoria disputada”, declarou o pontífice. Ele ressaltou que garantir o acesso regular a alimentos seguros, adequados e suficientes é um dever dos Estados e da comunidade internacional.
Leão XIV também cobrou medidas concretas da FAO e de seus países-membros, defendendo que as ações contra a fome não se limitem a análises e declarações. Para o papa, é necessário estabelecer uma nova ordem alimentar global, que coloque a dignidade humana e o bem comum acima de interesses econômicos.
Ao concluir a mensagem, o líder da Igreja Católica defendeu a transferência de recursos destinados à indústria bélica para pesquisas agrícolas sustentáveis e para a recuperação de terras degradadas, como forma de contribuir para a segurança alimentar mundial.


