A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou nesta sexta-feira (9) que não reconhece a autenticidade do material divulgado pela revista Veja sobre supostos pagamentos ao Instituto Lula e para o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O advogado Daniel Bialski, que integra a equipe responsável pelo caso, disse à CNN que desconhece o relato atribuído ao ex-dono do Banco Master.
Segundo Bialski, ele ainda não fazia parte da defesa de Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração premiada e, desde então, o ex-banqueiro não teria prestado um novo depoimento à Polícia Federal ou a outro órgão sobre o assunto.
“Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração e o que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal ou a qualquer outro órgão discorrendo sobre isso”, afirmou o advogado à CNN.
Bialski também declarou que nunca teve acesso ao HD contendo dados do telefone de Vorcaro nem aos anexos mencionados na reportagem. Segundo ele, o local onde o ex-banqueiro está preso não permite a entrada de equipamentos eletrônicos.
Mais tarde, a defesa divulgou nota na qual afirmou não confirmar “o conteúdo de qualquer material divulgado”, alegando não reconhecer a origem, autenticidade ou integridade dos documentos e áudios associados às tratativas de colaboração premiada. Os advogados também afirmaram que Vorcaro não prestou depoimento à PF ou à Procuradoria-Geral da República durante essas negociações.
Reportagem atribuiu relato a Vorcaro
A manifestação ocorre após a Veja publicar reportagem na qual afirma ter obtido áudio e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a revista, o ex-banqueiro teria relatado uma negociação com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto envolvendo pagamentos em troca de acesso a fundos de pensão de servidores federais.
Ainda de acordo com a publicação, teriam sido destinados R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto, para despesas relacionadas a um documentário sobre Lula produzido no exterior. As afirmações, porém, fazem parte de relatos atribuídos ao ex-banqueiro e não foram comprovadas pelas autoridades.
A Polícia Federal e a PGR já haviam recusado propostas de colaboração apresentadas por Vorcaro. Segundo integrantes da PF ouvidos pela CNN, os relatos não estavam acompanhados de elementos mínimos capazes de lhes conferir credibilidade. A Procuradoria adotou avaliação semelhante e não avançou com a colaboração.
Além disso, reportagem do UOL publicada nesta sexta-feira afirma que a análise das conversas extraídas do celular de Vorcaro pela PF não identificou menções a pagamento ou patrocínio de um documentário sobre Lula.
A defesa afirma que informações preliminares discutidas durante as tratativas de colaboração foram disponibilizadas apenas a um grupo restrito de autoridades e criticou a divulgação de supostos anexos relacionados a uma delação que não chegou a ser formalizada.
Apesar de questionar o material divulgado, a equipe jurídica afirmou que Vorcaro continua disponível para prestar informações às autoridades e sustenta que ele possui dados que considera relevantes para as investigações.


