Aliados do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fizeram um alerta à campanha sobre os riscos de adotar um discurso de vitória antecipada no início do segundo turno. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pelo analista de política Pedro Venceslau, da CNN, a partir de uma fonte ligada ao núcleo operacional da campanha.
Segundo a apuração, a orientação é para que Flávio e integrantes de seu entorno evitem antecipar discussões sobre uma eventual composição de governo, incluindo nomes para ministérios e articulações para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado.
A avaliação interna é de que esse tipo de postura poderia produzir dois efeitos negativos: transmitir uma imagem de excesso de confiança e desmobilizar eleitores e militantes antes da votação marcada para 25 de outubro.
O alerta ganhou força após declarações feitas por Flávio depois do primeiro turno. O candidato mencionou que uma eventual maioria no Congresso poderia influenciar as escolhas para o comando da Câmara e do Senado e permitir mudanças constitucionais. A campanha, segundo a CNN, passou a considerar necessário reduzir esse tipo de discurso enquanto a eleição ainda está em andamento.
Outra recomendação é que Flávio passe menos tempo em Brasília e amplie as agendas de rua. A avaliação interna é de que a capital federal favorece discussões sobre uma eventual transição de governo antes da definição das urnas.
A estratégia desenhada para as próximas semanas prevê a retomada de eventos de maior mobilização, como carreatas, motociatas e atos em arenas e espaços abertos, com foco em demonstrar presença popular e manter a militância mobilizada.
Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputam o segundo turno da eleição presidencial no dia 25 de outubro.
A orientação para evitar um clima de vitória antecipada ocorre justamente em um momento em que diferentes integrantes do meio político em Brasília já discutem cenários para uma eventual mudança de governo, algo que aliados da campanha consideram prematuro antes da votação final.


