A escritora e diretora de Comunicação da Rede Sem Fronteiras (RSF) – Núcleo Amazonas, Érica Aguiar, está entre os autores da coletânea internacional “Mãos que se unem pela escrita: o poder da língua portuguesa”, que será lançada nesta sexta-feira (9), em Manaus.
Além de contribuir como escritora, Érica integra a organização da publicação e participou da apresentação da obra, que reúne diferentes autores em torno da Língua Portuguesa, da literatura e das relações construídas por meio da palavra.
Na coletânea, ela assina o texto “A Última Palavra no Planeta Aseugutrop”, narrativa que parte das transformações provocadas por um mundo cada vez mais conectado e marcado pela velocidade da informação.
“Participar da coletânea internacional ‘Mãos que se unem pela escrita: o poder da língua portuguesa’, da Rede Sem Fronteiras – Núcleo Amazonas, foi uma experiência muito especial para mim”, afirma.
Entre a conexão e o silêncio
No texto autoral, Érica aborda um contraste presente na sociedade contemporânea: ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia a conexão e o acesso à informação, sentimentos como ansiedade, distanciamento e solidão continuam presentes nas relações humanas.

“No meu texto, ‘A Última Palavra no Planeta Aseugutrop’, parti de uma reflexão muito contemporânea: vivemos em um mundo cada vez mais conectado, rápido e cheio de informação, mas, ao mesmo tempo, muitas vezes mais distante, ansioso e silencioso por dentro”, explica.
A partir dessa reflexão, a autora constrói uma narrativa sobre palavras, afetos, conflitos e silêncio, buscando discutir aquilo que ainda é capaz de aproximar as pessoas em meio ao excesso de informações e estímulos.
“Construí uma narrativa que fala sobre palavras, afetos, conflitos, silêncio e sobre aquilo que ainda pode nos reconectar como seres humanos”, relata.
O próprio título traz um jogo com a palavra “portuguesa” escrita de trás para frente — “Aseugutrop”, recurso que dialoga diretamente com o eixo central da coletânea e com a maneira como Érica utiliza a linguagem na construção da narrativa.
Personagem também carrega homenagem pessoal
A criação do texto ainda guarda um significado particular para a escritora. Segundo Érica, o nome de um dos personagens foi escolhido como uma homenagem destinada à futura neta, caso ela tenha a oportunidade de se tornar avó.
A dimensão afetiva se soma à reflexão central da história sobre o papel das palavras nas relações humanas.
“Escrever essa história foi também pensar no poder que a palavra tem de atravessar fronteiras, criar pontes, provocar sentimentos e permanecer, mesmo quando tudo ao redor parece ruído”, destaca.
Para Érica, a escrita ultrapassa a comunicação e pode se transformar em instrumento de memória, aproximação e construção de vínculos.
Da escrita individual à construção coletiva
A participação da escritora na publicação não ficou restrita ao texto autoral. Érica também está entre as organizadoras da coletânea, ao lado de Kátia Colares Ribeiro, Dora Paula, Raissa Colares Ribeiro e Arthemisa Gadelha.
Segundo ela, acompanhar a construção do livro por diferentes frentes tornou a experiência ainda mais significativa.
“Tive a alegria e a responsabilidade de estar nesta obra como uma das organizadoras, participando também da apresentação do livro e contribuindo com um texto autoral. Foi uma oportunidade de viver a escrita para além da produção individual, ajudando também a construir uma obra coletiva, feita por muitas vozes, experiências e olhares”, afirma.
Para a autora, participar da organização possibilitou acompanhar a transformação das contribuições individuais em uma publicação que busca valorizar tanto o idioma quanto a literatura.
“Não foi apenas escrever e assinar um texto. Foi contribuir para dar forma a um projeto que valoriza a língua portuguesa, a literatura e a união entre pessoas por meio da escrita”, ressalta.
Livro reúne 67 escritores
Idealizada como um dos projetos da Rede Sem Fronteiras – Núcleo Amazonas, a coletânea reúne 67 escritores de diferentes regiões do Brasil e do exterior, com textos que abordam a Língua Portuguesa por perspectivas diversas.
A publicação já teve participação na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo e agora ganha lançamento oficial em Manaus.
Para Érica, encontrar seu trabalho entre os textos que compõem a obra representa também a materialização de sua trajetória com a escrita.
“Ver meu nome entre as organizadoras, escrever a apresentação e encontrar meu texto nas páginas deste livro é daqueles momentos que nos lembram que as palavras realmente podem nos levar muito longe”, diz.
Ela resume o propósito da publicação a partir da própria ideia que dá nome à coletânea.
“E talvez seja justamente esse o maior sentido desta obra: mostrar que, quando mãos se unem pela escrita, nenhuma fronteira é grande demais”, conclui.
Lançamento em Manaus

O lançamento de “Mãos que se unem pela escrita: o poder da língua portuguesa” será realizado nesta sexta-feira (9), às 19h, no auditório do Bloco C do Centro Universitário La Salle (Unilasalle Manaus), na rua Dom Pedro I, nº 151, bairro Dom Pedro.
A programação contará com noite de autógrafos e participação de escritores da coletânea, além de convidados, familiares e representantes ligados à produção cultural e literária.
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