O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma diretiva secreta autorizando o Pentágono a empregar forças militares contra cartéis de drogas latino-americanos, classificados por sua administração como organizações terroristas. A medida, segundo o jornal americano The New York Times, foi revelada por fontes ligadas à Defesa norte-americana e mira, principalmente, grupos do México e da Venezuela.
A ordem presidencial, segundo interlocutores com acesso à decisão, permite que militares dos EUA realizem operações diretas em alto-mar e, potencialmente, em território estrangeiro, um avanço significativo em relação às ações tradicionalmente conduzidas por agências policiais. A mudança de postura se insere na campanha do segundo mandato de Trump para endurecer o combate ao tráfico internacional de drogas, especialmente contra o fentanil.
Entre os principais alvos estão os cartéis mexicanos de Sinaloa, Jalisco Nova Geração, Cartéis Unidos, Cartel do Nordeste, Clã do Golfo e Família Michoacán, além de grupos venezuelanos como o Tren de Aragua e o Cartel de los Soles, este último supostamente ligado ao presidente Nicolás Maduro. Organizações como a Mara Salvatrucha (MS-13), de El Salvador, também integram a lista.
Desde janeiro de 2025, quando iniciou seu segundo mandato, Trump vem ampliando os instrumentos legais para essa ofensiva. Ele já havia assinado decretos autorizando o envio de tropas da Guarda Nacional para reforçar a segurança na fronteira com o México e designado cartéis como “organizações terroristas estrangeiras”. Essa classificação, tradicionalmente aplicada a grupos com motivações políticas, como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico, permite a imposição de sanções econômicas, congelamento de bens e agora, com a nova diretiva, o uso de força militar.


