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domingo, dezembro 14, 2025

Filiação de Bolsonaro ao PL no próximo dia 22 pode causar debandada de nomes fortes do partido

Dentre os nomes declaradamente contrários à filiação de Jair Bolsonaro ao Partido Liberal está o do vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos, que já afirmou que não subirá no mesmo palanque do presidente. Além dele, políticos do Pará, Ceará, Piauí e Alagoas são entraves para a direção nacional da sigla

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O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto confirmou, por meio de um breve comunicado, a filiação do presidente Jair Bolsonaro à sigla na próxima segunda-feira, dia 22, em Brasília.

“Minhas amigas e meus amigos do Partido Liberal, é com grande satisfação que eu anuncio para o dia 22 de novembro a assinatura da ficha do presidente Jair Bolsonaro. Onde traremos nossos companheiros, nossos prefeitos, nossos amigos, nossos filiados para acompanhar essa filiação que é um assunto de grande importância para o país e que nós vamos ter uma grande participação nesta eleição e nós vamos fazer de tudo para colher o que for de melhor pra nossa gente, pra que possamos melhorar a vida do povo brasileiro”, afirmou.

Confira o vídeo:

Bolsonaro estava há quase dois anos sem um partido político. Ele saiu do Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual foi eleito chefe do Executivo federal, em novembro de 2019. Neste período, tentou criar o Aliança pelo Brasil, mas não conseguiu o número de assinaturas suficientes para viabilizar a nova sigla. Desde então, o presidente tentava negociar com partidos de centro-direita, como Republicanos, Patriota e Progressistas.

No Amazonas, o PL é comandado pelo ex-ministro e ex-prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, que já havia demostrado entusiasmo com a possível filiação de Bolsonaro ao partido. Alfredo tenta viabilizar sua candidatura a deputado federal.

Percalços – A confirmação da filiação do presidente Bolsonaro ao PL traz consigo a certeza de mal estar dentro do partido para o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos e para outros representantes da sigla que são contrários ao governo Bolsonaro. Ramos já declarou que não sobe no mesmo palanque de Bolsonaro.

Em Glasgow, na Escócia, onde participa da COP26, Marcelo Ramos disse que só irá se manifestar sobre seu futuro dentro do PL após dialogar com lideranças da sigla. Ele disse que conversou por telefone com o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, que fez um apelo para ele permanecer no partido.

“Não posso tomar uma decisão precipitada em relação a isso (saída do PL). Estou fora do Brasil diante desses acontecimentos. Conversei por telefone com o presidente do partido, que fez um apelo para que eu permaneça no partido, dizendo que entenderia a minha posição e daria liberdade para o exercício do meu mandato, para minha tomada de decisão em relação ao meu apoio pra presidente da República e que o partido tem um projeto pra mim. Isso tem impacto também na minha posição na mesa da Câmara dos Deputados, porque a distribuição da mesa é proporcional, portanto, a vaga é do bloco partidário e interfere na posição que eu ocupo de vice-presidente da casa”, explicou.

Ramos afirmou que a presença de Bolsonaro no PL é incômoda e voltou a dizer que não estará no mesmo palanque que o presidente Jair Bolsonaro. ”Obviamente, não é cômodo pra mim a presença do presidente Bolsonaro no mesmo partido que eu, mas posso reafirmar o que já disse várias vezes: não estarei no palanque do presidente Bolsonaro. Respeito quem estará, mas eu não estarei porque não acho que ele seja bom para o futuro do nosso país. Vou conversar com o meu partido tão logo eu volto, ainda tenho tempo para tomar as minhas decisões. O PL tem uma tradição de dar liberdade para os seus parlamentares e eu vou aguardar a conversa com a direção do meu partido para tomar uma posição em relação à minha filiação partidária. Mas em relação à minha posição política reafirmo que não estarei no palanque do presidente Bolsonaro”, disse.

O vice-presidente disse ainda que vem sendo sondado por outros partidos políticos, como o Solidariedade e o PSB. “O Paulinho da Força me ligou, o meu fraterno amigo deputado André Figueiredo, que era o líder do PDT me ligou. Representantes de vários partidos me ligaram. Respeito os dirigentes dos partidos que têm no estado do Amazonas e tenho dito para todos que não vou tomar uma decisão açodada e nem vou tomar uma decisão distante do Brasil, como eu estou agora. Eu vou cumprir minha missão com o Brasil, com os brasileiros, com o Amazonas. Posso conversar com quem quer que seja, mas eu não acredito que o presidente Bolsonaro seja bom para o futuro do nosso país e não estarei no palanque dele”, reafirmou.

Debandada – Para impedir uma debandada, diretórios estaduais, sobretudo os do Norte e Nordeste, começaram uma movimentação para tentar buscar autonomia para manter acordos regionais. Os principais entraves estão no Amazonas, Pará, Ceará, Piauí e Alagoas. Além disso, em São Paulo, o PL está apalavrado com o vice-governador (PSDB) Rodrigo Garcia, que disputará o governo do estado.

No Piauí, o deputado federal Fábio Abreu (PL) é aliado do governador Wellington Dias (PT) e deve manter a parceria com ele em 2022. O deputado afirmou que não conviverá com os aliados de Bolsonaro no mesmo partido.

Em Alagoas, o ex-deputado Maurício Quintella Lessa comanda a legenda. Ele é secretário na gestão do governador Renan Filho (MDB), que deve apoiar o ex-presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.

O partido é aliado do governador Helder Barbalho (MDB), do Pará, que concorrerá à reeleição em 2022. Ele tenta montar um palanque amplo, que inclua bolsonaristas e petistas, mas costuma ser duramente criticado pelos aliados do presidente.

São Paulo é base eleitoral do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidente. Porém, no Estado, o PL faz parte da base do governador João Doria.

Contraponto – Na região Sul, a situação é diferente: a filiação de Bolsonaro tende a fortalecer pré-candidaturas a governos estaduais do partido. Em Santa Catarina, o senador Jorginho Mello será candidato ao governo pelo PL em uma chapa que pode incluir o empresário Luciano Hang ou o secretário nacional da Pesca, Jorge Seif Júnior, como potenciais candidatos ao Senado.

O PL negocia a filiação de Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho, que pretende ser candidato ao governo do Rio Grande do Sul. A chegada de Bolsonaro ao partido fortalece a candidatura de Onyx, mas pode criar atritos com Luiz Carlos Heinze (PP-RS), também pré-candidato ao governo gaúcho.

Na Assembleia Legislativa paulista, por exemplo, o PL tem sete deputados, e a maioria costuma votar a favor dos projetos do governador João Doria, opositor de Bolsonaro e candidato nas prévias do PSDB.
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Da Redação com informações O Povo
Foto: Divulgação / Ilustração Marcus Reis

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