O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi transferido na noite de ontem do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A medida foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte, e tem como objetivo viabilizar o início das tratativas para um acordo de delação premiada.
Segundo informações da investigação, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade, etapa inicial para formalizar negociações de colaboração com as autoridades. A expectativa é que o eventual acordo seja conduzido em conjunto pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob supervisão do STF.
O banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, ao tentar deixar o país. Após ser solto dez dias depois, voltou a ser detido em 4 de março deste ano, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Na última semana, ele trocou sua equipe de defesa, que passou a ser liderada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca. O defensor se reuniu com Mendonça na terça-feira para discutir a possibilidade de colaboração.
Desde que a Segunda Turma do STF formou maioria pela manutenção de sua prisão, Vorcaro intensificou os movimentos para negociar a delação. A decisão foi tomada com votos favoráveis de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O ministro Gilmar Mendes ainda não votou, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito e deixou a relatoria após a Polícia Federal apontar possíveis vínculos entre ele e o investigado.
Nos bastidores, o novo advogado de Vorcaro procurou investigadores para assegurar que o cliente está disposto a realizar uma “delação séria”. A sinalização é de que a colaboração não pouparia envolvidos no esquema, afastando a possibilidade de um acordo seletivo, hipótese que vinha sendo defendida por aliados políticos ligados ao chamado Centrão.
A movimentação ocorre em meio a pressões de agentes políticos que tiveram relações comerciais com o banqueiro e tentaram influenciar os termos de uma eventual delação. No entanto, interlocutores do caso indicam que não há espaço para acordos que beneficiem determinados nomes.
Outro ponto que chama atenção é a possível conexão com o empresário João Carlos Mansur, dono da gestora de recursos Reag e também cliente do advogado de Vorcaro. A coincidência tem levado integrantes do mercado financeiro e do meio político a cogitar uma delação conjunta.
De acordo com a Polícia Federal, a Reag teria sido utilizada como um dos principais canais para distribuição de recursos desviados do Banco Master. Os valores, segundo a investigação, teriam sido direcionados para contas pessoais de Vorcaro, de sócios e também para pagamentos a políticos e autoridades públicas.
As negociações ainda estão em fase inicial, mas fontes envolvidas avaliam que há tendência de avanço nas tratativas, o que pode ampliar o alcance das investigações em curso no STF.


