O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, afirmou ter deixado o país nesta quinta-feira (5), após receber ameaças de morte e manifestar temor pela segurança de seus familiares. A saída do magistrado ocorre, porém, em meio a investigações criminais que o apontam como suspeito de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa.
Saucedo acusa o governo do presidente boliviano Rodrigo Paz, de centro-direita, de promover uma perseguição política contra ele. O Ministério Público, por sua vez, informou que o magistrado é alvo de pelo menos duas investigações e que já existe uma ordem de prisão expedida contra ele.
O procurador-geral interino da Bolívia, José Armando Urioste, declarou que o órgão pretende solicitar à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) a emissão de um alerta vermelho para localizar o juiz, de 38 anos.
Em publicação na rede social X, antigo Twitter, Saucedo afirmou temer ser preso ou assassinado por contrariar interesses políticos. Para justificar a decisão de deixar o país, mencionou o assassinato do magistrado Víctor Hugo Claure, integrante do Tribunal Agroambiental, morto a tiros em abril deste ano, na cidade de Santa Cruz.
“Mataram-no porque afetou interesses de corruptos e são cúmplices aqueles que até hoje encobrem esse fato. Não quero que me aconteça o mesmo, por isso prefiro ir-me embora”, escreveu.
O presidente do TSJ negou responder a processos criminais em andamento, embora tenha afirmado esperar que novas ações sejam abertas contra ele. Também rejeitou a possibilidade de renunciar ao cargo e declarou que pretende retornar à Bolívia quando considerar que sua segurança e a de sua família estarão garantidas.
Na mesma publicação, Saucedo afirmou que o governo já teria um acordo para definir quem ocuparia sua suplência. Em tom de contestação, reforçou que não pretende deixar a presidência do tribunal.
“O governo já tem um acordo com quem se pretende que exerça a minha suplência. Quero dizer-lhes uma coisa muito clara: NÃO VOU RENUNCIAR AO CARGO QUE ME DEU O VOTO DO POVO CRUCEÑO!”, declarou.
Até o momento, o magistrado sustenta que sua saída é motivada por ameaças e perseguição política, enquanto o Ministério Público mantém as investigações e busca localizá-lo por meio de mecanismos internacionais.
*Com informações da Metrópoles
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