O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, reagiu nesta sexta-feira (23) a uma provocação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate presidencial promovido pela TV Globo. O petista criticou o adversário por fazer referência ao fato de ter nove dedos, consequência de um acidente de trabalho sofrido na juventude, e afirmou que não aceitaria esse tipo de comentário.
A discussão começou quando Flávio Bolsonaro criticou a política econômica do governo federal e afirmou que Lula concede benefícios à população, mas retira parte dos recursos por meio da cobrança de impostos. Durante a argumentação, o senador utilizou a expressão “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em referência à condição física do presidente.
Ao retomar a palavra, Lula demonstrou insatisfação com a declaração e relembrou sua trajetória como trabalhador. O presidente afirmou que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda aos 17 anos, enquanto trabalhava durante a madrugada em uma metalúrgica.
“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, declarou o petista, utilizando o termo para atacar politicamente o adversário. Lula também questionou a trajetória profissional de Flávio Bolsonaro e afirmou conhecer as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores brasileiros.
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O presidente ainda exigiu que o candidato do PL se desculpasse pela referência ao acidente. Durante a discussão, destacou que milhares de brasileiros sofrem acidentes de trabalho e criticou as condições que colocam empregados em situações de risco.
Após a cobrança, Flávio Bolsonaro pediu desculpas ao presidente, afirmando que não tinha a intenção de ofendê-lo. O senador reiterou o pedido durante sua participação no debate.
Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico na Metalúrgica Independência, em São Paulo. O acidente ocorreu durante o turno da madrugada, quando uma prensa atingiu sua mão enquanto ele tentava realizar um reparo no equipamento.
O episódio marcou um dos momentos de maior tensão do debate presidencial, realizado na reta final da campanha para o segundo turno das eleições de 2026, marcado para domingo (25).


