Eleição nas ruas: Voto ainda em construção mantém aberta disputa pelo Governo do Amazonas

Maior exposição dos candidatos nas ruas, redes sociais e debates pode influenciar eleitores que ainda não decidiram o voto, afirma analista político Igor Castro

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Com o início oficial da campanha eleitoral, a corrida pelo Governo do Amazonas entra em uma nova etapa. Levantamentos realizados durante a pré-campanha mostram Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Progressista), David Almeida e Maria do Carmo (PL) ocupando as principais posições, mas os números também revelam um eleitorado ainda sujeito a mudanças à medida que candidatos intensificam agendas nas ruas, propaganda e participação em debates.

A leitura conjunta das pesquisas realizadas nos meses anteriores à campanha permite identificar diferenças entre os desempenhos na capital e no interior, índices distintos de rejeição e, principalmente, um elevado percentual de eleitores que ainda não conseguem apontar espontaneamente um candidato.

Na pesquisa espontânea da Action, realizada entre 6 e 10 de julho, 68% dos entrevistados não souberam dizer em quem votariam. Omar Aziz e Maria do Carmo registraram 9% cada, David Almeida apareceu com 6% e Roberto Cidade, com 5%. O levantamento ouviu 2,6 mil eleitores em 33 municípios e tem margem de erro de 1,9 ponto percentual.

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O cenário reforça um dos principais elementos desta fase da eleição: embora os candidatos já apresentassem percentuais mais elevados quando seus nomes eram apresentados aos entrevistados, a lembrança espontânea ainda era baixa durante a pré-campanha.

Pesquisas estimuladas mostram disputa mais concentrada

Na pesquisa Projeta, realizada entre 18 e 23 de julho com 3 mil eleitores de 20 municípios, Omar apareceu com 27% no cenário estadual, seguido por Roberto Cidade, com 23,4%. David Almeida registrou 17% e Maria do Carmo, 16,8%.

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O recorte de Manaus apresentou uma configuração ainda mais equilibrada: Cidade marcou 23,3%; Omar, 22,8%; Maria do Carmo, 20,1%; e David, 17,4%.

Gráfico sobre sondagem da Projeta para governador do AM

Outro levantamento, do instituto Direto ao Ponto, realizado entre 15 e 20 de junho, também colocou Omar na liderança. O senador registrou 28%, enquanto David Almeida apareceu com 21%, Roberto Cidade com 20% e Maria do Carmo com 19%. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os três últimos estavam tecnicamente empatados.

A pesquisa também mostrou diferenças territoriais. Omar tinha 24% em Manaus e 33% no interior. David registrava 21% nos dois segmentos; Cidade, 20% na capital e 21% no interior; e Maria do Carmo, 22% em Manaus e 16% fora da capital.

Em maio, o Instituto Pontual também apontou um cenário aberto na disputa pelo Governo. Na época, o senador Omar Aziz (PSD) aparecia com 29,1% e o governador Roberto Cidade (União Brasil), com 22,1%. Maria do Carmo (PL) surgia em terceiro lugar com 20,1% e David Almeida (Avante) logo com em seguida com 20%.

Vale ressaltar que, os números projetados são retratos de momentos e metodologias diferentes. Por isso, não devem ser comparados como se constituíssem uma única série histórica. A leitura conjunta serve principalmente para identificar características recorrentes da disputa, como a competitividade entre os principais candidatos e o espaço ainda existente para movimentação do eleitorado.

Indecisos colocam campanha no centro da disputa

Para o comunicador e analista político Igor Castro, a entrada oficial da campanha tende a aumentar o envolvimento dos eleitores com a disputa.

Segundo Castro, durante a pré-campanha, parte significativa da população estava concentrada em outros acontecimentos e nas próprias demandas cotidianas. Agora, a maior exposição dos candidatos deve aumentar gradualmente a atenção sobre a eleição.

“Com o início oficial da campanha, esse cenário tende a mudar. A partir de agora, os candidatos passam a ocupar mais espaço nas ruas, nas redes sociais, na televisão, no rádio e nos debates. É nesse momento que uma parcela importante do eleitorado começa, de fato, a prestar atenção na eleição, comparar candidatos, conhecer propostas e formar sua decisão”, analisou.

O percentual de eleitores sem candidato espontâneo ajuda a dimensionar esse cenário. Segundo Castro, pesquisas do Direto ao Ponto e da Action registraram, respectivamente, 72% e 68% de entrevistados incapazes de citar espontaneamente um nome.

Comunicador e analista político, Igor Castro atua há mais de 20 anos no cenário eleitoral. É proprietário do Direto ao Ponto Pesquisas, empresa especializada em pesquisas de mercado e opinião pública no Amazonas.

“Quando sete em cada dez pessoas não conseguem citar espontaneamente um candidato, significa que boa parte da população ainda não incorporou a disputa ao seu dia a dia”, explicou.

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Na avaliação do analista, a redução de 72% para 68% entre os levantamentos não deve ser interpretada isoladamente como uma mudança definitiva, mas pode indicar que a eleição começa a ganhar espaço na atenção do eleitor.

Quando será possível identificar uma tendência?

Com diferentes levantamentos mostrando oscilações entre os candidatos, Castro ressalta que uma pesquisa isolada não é suficiente para determinar uma tendência eleitoral.

“Normalmente, uma tendência mais consolidada começa a aparecer quando diferentes institutos, utilizando metodologias distintas, passam a apontar a mesma direção. Um único levantamento nunca deve ser analisado de forma isolada”, afirmou.

Segundo ele, movimentos consecutivos de crescimento ou queda, especialmente quando ultrapassam as margens de erro, fornecem sinais mais consistentes sobre o comportamento do eleitorado. A tendência é que o cenário fique mais claro na reta final, depois de maior exposição à propaganda e aos debates.

Além da intenção de voto, as próximas pesquisas deverão ser observadas a partir de indicadores como rejeição, voto espontâneo e redução do número de indecisos.

Nas ruas, eleitor confirma cenário heterogêneo

As opiniões colhidas entre eleitores também mostram diferentes graus de definição do voto.

A empreendedora Julia Beatriz afirmou que, se a eleição fosse realizada atualmente, votaria em Roberto Cidade, mas admitiu que sua decisão ainda não está consolidada. Ao ser questionada sobre o que poderia fazê-la mudar de candidato, respondeu que “muitas coisas” ainda poderiam interferir na escolha.

Já o empreendedor Marawe Mendonça declarou voto definido em Omar Aziz. Para ele, “propostas de verdade” poderiam ser determinantes na avaliação dos candidatos, enquanto saúde, segurança pública e meio ambiente estão entre as prioridades que espera do próximo governo.

A assistente de marketing Júlia Fernanda afirmou ter decidido seu voto em David Almeida. De acordo com ela, propostas envolvendo meio ambiente devem ser prioridade entre os candidatos.

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O industriário Marcus Vinicius afirmou ter escolhido Maria do Carmo e apontou saúde pública e segurança como prioridades. Segundo ele, um eventual escândalo envolvendo a candidatura poderia alterar sua decisão.

A veterinária Tiffany Oliveira declarou ter definido voto em Omar e afirmou que projetos, debates e planos de governo são elementos que considera na avaliação eleitoral.

Já o líder de marketing Lázaro disse ainda não ter escolhido candidato e apontou propostas para desenvolvimento, saúde e segurança como fatores capazes de orientar sua decisão.

Campanha pode redesenhar cenário

Debates, propaganda eleitoral, alianças, desempenho dos candidatos e acontecimentos políticos ainda podem interferir na corrida pelo Governo do Amazonas. Para Igor Castro, em um cenário competitivo, movimentos relativamente pequenos podem produzir impactos relevantes.

“Ainda há muitos fatores capazes de alterar o cenário eleitoral. O principal deles é o próprio desenvolvimento da campanha”, afirmou.

Na avaliação do especialista, mais do que observar apenas quem ocupa a primeira posição em determinado levantamento, as próximas semanas permitirão identificar quais candidaturas conseguem apresentar crescimento consistente e transformar exposição eleitoral em votos.

Com os candidatos agora oficialmente nas ruas, a eleição entra justamente na fase em que parte do eleitorado começa a conhecer propostas, comparar nomes e consolidar escolhas. As pesquisas da pré-campanha deixam, portanto, um ponto de partida: uma disputa competitiva e com espaço para mudanças até a chegada às urnas.

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