Podcast “As Jornalistas” discute feminicídio, feminismo e os desafios das mulheres na sociedade atual

Episódio especial do mês da mulher reúne profissionais para analisar violência de gênero, avanços históricos e divergências sobre o papel do feminismo

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No mês da mulher, o podcast “As Jornalistas”, idealizado pela jornalista Arthemisa Gadelha, promoveu um debate sobre temas centrais para a realidade feminina no Brasil, como feminicídio, violência de gênero, feminismo e transformações sociais.

O episódio, exibido no dia 20 de março, contou com a participação das jornalistas Érica Lima, CEO do portal O Convergente; Audrey Bezerra, do Dia a Dia Notícia; Karla Costa, do Planeta 92; além da advogada e jornalista Liliane Araújo.

Feminicídio e violência: um problema estrutural

A discussão teve início com a leitura de notícias recentes sobre violência contra a mulher, o que serviu de base para um debate mais amplo sobre o tema.

Érica Lima, Jornalista e CEO do Portal O Convergente

Durante a conversa, Érica Lima destacou que o conceito de feminicídio ainda não é plenamente compreendido pela população, em parte por se tratar de uma legislação relativamente recente. Ela também pontuou que a violência contra a mulher não pode ser explicada por um único fator, já que envolve desde raízes históricas do patriarcado até mudanças contemporâneas no comportamento feminino e no uso das redes sociais.

“A gente não tinha uma legislação consolidada, nem o entendimento popular do que é feminicídio. E a violência contra a mulher é multifatorial”, afirmou.

Liliane Araújo, Jornalista e Advogada

Liliane Araújo acrescentou dados sobre o Amazonas, que ocupou o 3º lugar no ranking nacional de feminicídios em 2024. Apesar de uma redução de 31% nos casos em 2025, ela ponderou que isso não representa necessariamente uma diminuição real da violência.

Feminismo e desinformação

No segundo bloco, o foco foi o feminismo e a forma como o movimento ainda é interpretado de maneira distorcida por parte da sociedade.

As participantes avaliaram que muitas críticas ao feminismo partem da falta de conhecimento. Nesse sentido, Érica Lima chamou atenção para o desconhecimento sobre direitos básicos garantidos pela Constituição, enquanto Liliane Araújo reforçou que é comum a reprodução de opiniões sem embasamento.

Arthemisa Gadelha, Jornalista e CEO do Blog da Gadelha

Arthemisa Gadelha contextualizou historicamente a discussão, lembrando que direitos hoje considerados básicos são recentes, como o voto feminino, conquistado na década de 1930. Ela também destacou que o preconceito está diretamente ligado à falta de interesse em buscar informação e compreender os fatos.

Divergências sobre representatividade

O debate também abriu espaço para diferentes visões sobre representatividade e política, especialmente ao abordar temas atuais envolvendo a participação de mulheres em espaços de poder.

As falas evidenciaram que, embora haja avanços, ainda existem tensões sobre quais pautas devem ser priorizadas. Liliane Araújo destacou que questões relacionadas à identidade e pertencimento fazem parte de um processo histórico de ampliação de direitos e refletem mudanças sociais em curso.

Por outro lado, Karla Costa ponderou que o debate público, em alguns momentos, pode perder o foco das demandas mais urgentes das mulheres, especialmente quando atravessado por disputas ideológicas.

Karla Costa, Jornalista e CEO do Planeta 92 News

Mudanças no comportamento feminino

Outro ponto abordado foi o crescimento do engajamento feminino em pautas conservadoras. Audrey Bezerra apresentou dados de pesquisas que indicam a força desse movimento nos últimos anos, especialmente entre mulheres evangélicas, com maior adesão a temas ligados à família tradicional e críticas ao feminismo contemporâneo.

Audrey Bezerra, Jornalista e CEO do Portal Dia a Dia

O cenário, segundo as participantes, demonstra que as mulheres não formam um grupo homogêneo e que há diferentes visões sobre direitos, comportamento e papel social.

Educação como ferramenta de transformação

Apesar das divergências, houve convergência em torno da importância da educação como ferramenta central no enfrentamento à violência contra a mulher.

As jornalistas defenderam uma formação mais crítica, capaz de oferecer instrumentos para que mulheres reconheçam situações de risco e tenham meios de se proteger. Nesse contexto, também foi levantada a preocupação com a redução de disciplinas de humanas nas escolas, o que pode impactar diretamente na capacidade de reflexão social.

“A grande solução é a educação libertadora”, destacou Érica Lima.

Por que o feminismo ainda é necessário?

Ao refletir sobre a atualidade do feminismo, Liliane Araújo afirmou que o movimento ainda é essencial justamente por não ser plenamente compreendido.

“Ele é necessário porque ainda não foi bem compreendido pela sociedade. É preciso que as futuras gerações entendam que a mulher tem direito de escolha e de ser livre.”

Avanços históricos e desafios persistentes

No encerramento, Arthemisa Gadelha relembrou marcos importantes na conquista de direitos das mulheres, como o acesso à educação no século XIX, o direito ao voto, o Estatuto da Mulher Casada e a lei do divórcio.

As participantes também destacaram que, até poucas décadas atrás, mulheres enfrentavam restrições severas, como a necessidade de autorização do marido para decisões pessoais e até procedimentos médicos.

A discussão terminou com a avaliação de que, apesar dos avanços, a violência de gênero e as desigualdades estruturais ainda representam desafios significativos, o que reforça a importância de manter o debate ativo na sociedade.

Matéria: Francisco Seixas | Ilustração: Ranyere Frota | Revisão jurídica: Letícia Barbosa

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