Seccionais da OAB questionam decisão de Moraes que autorizou apreensão de equipamentos de jornalista

OAB de estados critica decisão judicial e alerta para risco à liberdade de imprensa

Por

Conselhos seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em diversos estados divulgaram notas de repúdio à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luis Pablo.

A medida foi tomada na última terça-feira (10) e incluiu a apreensão de celulares e de um notebook do jornalista. A decisão ocorreu após a publicação de reportagens em que Luis Pablo apontou um suposto uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino.

Em nota, a seccional da OAB no Maranhão afirmou que medidas de busca e apreensão devem ser adotadas com cautela e dentro dos limites estritos de eventuais investigações. A entidade também destacou que o sigilo da fonte e a proteção ao livre exercício da atividade jornalística são garantias previstas na Constituição.

“A Comissão reafirma seu compromisso com a proteção da liberdade de imprensa e com a defesa das garantias constitucionais que asseguram o livre exercício do jornalismo”, afirmou a OAB-MA em nota.

A seccional da OAB no Paraná também criticou a decisão e fez referência ao uso do Inquérito das Fake News, afirmando que o processo funciona como um mecanismo permanente de abertura de procedimentos criminais no STF sem limites temporais definidos e com sigilo que dificulta o controle público.

Em posicionamento público, a entidade comparou a medida a práticas do Departamento de Ordem Política e Social, estrutura que atuou durante o período da ditadura militar brasileira monitorando e reprimindo opositores políticos.

Segundo a OAB-PR, a apreensão de equipamentos de um jornalista pode comprometer o sigilo das fontes e gerar efeito inibidor sobre a atividade investigativa da imprensa.

Outras seccionais também se manifestaram. A OAB do Espírito Santo afirmou ter “preocupação” com a decisão e avaliou que relativizar garantias como o sigilo da fonte pode fragilizar instituições democráticas e abrir precedentes considerados perigosos.

Já a seccional do Mato Grosso declarou “indignação e preocupação” com a determinação, destacando que medidas restritivas adotadas sob sigilo e sem ampla divulgação dos fundamentos podem gerar insegurança jurídica e pública.

A OAB do Rio de Janeiro informou que não comenta casos concretos em julgamento no Poder Judiciário, mas ressaltou que qualquer medida que possa prejudicar o livre exercício da imprensa representa um precedente preocupante.

Até o momento, o Conselho Federal da OAB não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

*Com informações da CNN

Leia mais: Moraes vota para tornar réu deputado do PL que chamou general de “frouxo”

Fique ligado em nossas redes

Você também pode gostar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img

Últimos Artigos

- Publicidade -