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quarta-feira, janeiro 28, 2026

Políticos de direita e esquerda esquecem ‘polarização’ e cobram maior rigor da Justiça pela morte do cão Orelha

Morte de Orelha chama atenção pela brutalidade sem motivo cometida por adolescentes

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A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), movimentou todas as esferas da sociedade brasileira. A brutalidade com a qual o animal foi morto causou revolta em brasileiros de diferentes perfis, independentemente de gostarem ou não de animais.

A indignação também se estendeu ao meio político, unindo parlamentares e lideranças da direita e da esquerda. Sensibilizados pela causa, os dois campos ideológicos deram uma “trégua” na polarização para cobrar Justiça e maior rigor nas punições para crimes de maus-tratos contra animais.

Entre os que manifestaram indignação nas redes sociais estão os deputados Kim Kataguiri (União-SP) e Mário Frias (PL-SP); o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); a deputada Érika Hilton (PSOL-SP); o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e a primeira-dama Janja Lula da Silva.

Mais rigor

Kim Kataguiri afirmou no X (antigo Twitter) que a pena para esse tipo de crime é muito branda, informou que protocolou um projeto para aumento das punições e defendeu a redução da maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos.

“Protocolando agora aumento de pena para criminosos que torturam e matam animais, mas isso não basta. Precisamos pressionar 308 deputados para aprovarmos a redução da maioridade penal e evitar que marginais como esses, no futuro, saiam impunes”, disse.

Já Mário Frias defendeu a lei sancionada no governo de Jair Bolsonaro (PL), que aumentou as penas para quem comete maus-tratos contra animais, e afirmou que os responsáveis pela morte de Orelha devem ser punidos com base na legislação.

“Foi o presidente Bolsonaro que sancionou uma nova lei que aumenta as penas para quem maltrata animais de estimação. Quem maltratar cães e gatos poderá ser condenado a até 24 meses de prisão, multa pesada e proibição total de adotar outros animais. Os assassinos do Orelha merecem receber a rigidez total da lei”, escreveu, ao divulgar uma imagem de Bolsonaro com um cachorro caramelo no ato da sanção da norma.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, falou sobre uma operação que apura suposta coação de pessoas ligadas aos envolvidos no crime, afirmando que a sociedade não aceita mais o silêncio nesses casos.

“O caso do cão comunitário Orelha ganhou o Brasil e o mundo — e eu digo com sinceridade: ainda bem. Ainda bem que a sociedade não aceita mais a crueldade e que a violência contra animais não passa mais em silêncio. Confesso que custei a acreditar: adolescentes e jovens de famílias estruturadas agredindo um cão por pura maldade. A investigação mostrou algo ainda mais grave: não se trata apenas de um ato isolado de adolescentes. Há indícios de coação, ameaças e possível porte ilegal de arma envolvendo adultos. Não importa quem sejam, nem os sobrenomes que carregam: a lei será cumprida”, enfatizou Mello.

Posicionamento da esquerda

A deputada federal Érika Hilton classificou como inaceitável o maus-tratos contra animais e demonstrou indignação diante da possibilidade de os pais dos envolvidos tentarem ocultar o crime cometido pelos menores de idade.

“Meu mandato está atento ao caso e às investigações. O maltrato contra animais é inaceitável, e mais inaceitável ainda é a possibilidade de que os responsáveis por algo tão bárbaro sejam protegidos em razão do saldo bancário de seus pais. Pais estes que deveriam estar seriamente preocupados em ensinar esses adolescentes o mínimo de decência, em vez de tentarem ocultar fatos e cometer novos crimes”, disse.

O senador Fabiano Contarato, relator da lei que aumentou as penas para maus-tratos a animais, também manifestou revolta e afirmou que a cultura da impunidade não pode prevalecer nesses casos.

“Totalmente revoltante a morte do cão Orelha, em Florianópolis. Amado por toda a comunidade, ele teve a vida tirada de forma brutal pelas mãos de ao menos quatro adolescentes — que, além de civilidade, também precisam aprender que todo ato tem consequências. Como relator, lutei para aprovar a lei, em vigor desde 2020, que aumentou as penas para maus-tratos contra cães e gatos. Também consegui aprovar no Senado meu projeto que amplia o tempo de internação para adolescentes infratores, para que haja responsabilização proporcional à gravidade das condutas. A cultura da impunidade precisa ter um basta. A lei não pode ser abrigo para quem escolhe o caminho da crueldade”, escreveu no X.

A primeira-dama Janja Lula da Silva também se manifestou publicamente. Em publicação no Instagram, afirmou que o caso vai além de um episódio isolado e funciona como um alerta sobre a banalização da violência, a falta de limites e a impunidade.

“Eu nunca entendi o que se passa na cabeça e no coração de quem tem coragem de maltratar outro ser vivo. Principalmente um ser indefeso, como um cachorro. Acho que por isso o caso do cachorro Orelha, que foi brutalmente assassinado por adolescentes em Florianópolis, tem me causado tanta tristeza e indignação. Não podemos fechar os olhos para atitudes como essa. Me solidarizo com a comunidade que sempre cuidou do Orelha com tanto amor e que, hoje, clama por justiça”, escreveu.

Leia mais: Concurso da Câmara Federal oferece remuneração inicial de R$ 21,3 mil

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