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segunda-feira, janeiro 26, 2026

Levantamento aponta aumento de atuação de parentes de ministros do STF em tribunais superiores

Estudo do economista Bruno Carazza, divulgado pela Folha de S.Paulo, analisou quase dois mil processos no STF e no STJ após a posse dos magistrados

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Um levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo no início de janeiro recolocou no centro do debate institucional a atuação de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em tribunais superiores. O estudo foi elaborado pelo economista Bruno Carazza e analisou a movimentação processual de familiares diretos de integrantes da Corte.

Carazza mapeou cerca de quase dois mil processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) conduzidos por cônjuges e filhos de ministros. Para o levantamento, foram selecionados nove advogados com vínculo direto com magistrados do Supremo, comparando-se o volume de ações antes e depois da posse dos ministros nas respectivas cadeiras.

No conjunto, o número de processos patrocinados por esses familiares saltou de 80 para 170 no STF e de 278 para 1.394 no STJ, indicando um crescimento expressivo, sobretudo na segunda instância superior, onde se concentra a maior parte das atuações.

O dado mais sensível aparece justamente no STJ, corte que absorve o maior volume de demandas. Embora o cenário preserve a legalidade formal, o levantamento evidencia o peso simbólico do sobrenome como um ativo relevante no mercado da advocacia de tribunais superiores.

Mesmo sem indícios objetivos de favorecimento, consolida-se a percepção de assimetria de acesso à Justiça, com impacto direto na confiança pública e na ideia de isonomia no funcionamento do sistema judicial.

Especialistas destacam que a multiplicação de causas não configura, por si só, qualquer irregularidade — a escolha de um advogado é uma decisão legítima em qualquer democracia. Ainda assim, é difícil afastar a percepção de que a contratação de parentes de ministros não se baseia apenas na qualificação técnica, mas também na eventual influência institucional, fator que pode fragilizar a credibilidade do Judiciário perante a sociedade.

*Com informações Folha de São Paulo

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