Sem detalhamento dos gastos com o Sou Manaus Passo a Paço 2025, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), declarou que o valor total das despesas do festival foi de R$ 34 milhões, divididos entre a Prefeitura e patrocinadores. As declarações foram dadas em meio à decisão da Câmara Municipal de Manaus (CMM), que rejeitou o requerimento solicitando informações sobre o custeio público do evento.
Ao final do seu primeiro mandato, David Almeida também não havia tornado públicos os valores gastos com o Sou Manaus em 2024, conforme noticiado por O Convergente. À época, ele afirmou apenas que os custos foram compartilhados com patrocinadores.
Em 2025, o debate sobre os gastos do evento voltou a ganhar repercussão, especialmente diante das críticas à estrutura do festival. Na última segunda-feira (8), a CMM rejeitou, por 19 votos contrários e 9 favoráveis, um novo requerimento que pedia a prestação de contas do evento.
Vale lembrar que, no fim de agosto, o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Jender Lobato, esteve na CMM e garantiu que a pasta apresentaria os dados detalhados dos gastos. Apesar disso, até a publicação desta matéria — em 9 de setembro —, as informações ainda não estavam disponíveis.
O Convergente consultou o Portal da Transparência de Manaus em busca de dados sobre os custos do festival. A reportagem investigou as abas de “Despesas” e “Compras Manaus”, dentro da seção de licitações. No entanto, a única licitação encontrada relacionada ao evento refere-se ao aluguel do espaço na zona portuária, no valor de R$ 230 mil, conforme já noticiado pelo veículo. Nenhum outro registro específico foi localizado.

R$ 34 milhões
Em coletiva de imprensa, o prefeito afirmou que os custos totais do festival somaram R$ 34 milhões, sendo R$ 25 milhões provenientes dos cofres públicos e R$ 9 milhões oriundos de patrocínio. “Fechamos o evento com R$ 34 milhões: R$ 9 milhões em investimentos de patrocinadores. Praticamente todos os artistas nacionais foram pagos com esses recursos”, declarou.
O titular da Manauscult, Jender Lobato, acrescentou que os cachês dos artistas que se apresentaram no festival ficaram entre R$ 12 milhões e R$ 14 milhões. “Todo o investimento feito pela Prefeitura está disponível no portal e dentro do prazo previsto em lei”, afirmou.
Apesar das declarações dos gestores públicos, ainda não há comprovação documental dos valores, o que se torna mais preocupante diante da rejeição do requerimento que exigia transparência por parte da Prefeitura.
Outro lado
O Convergente entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para questionar a ausência de informações sobre os gastos do Sou Manaus 2025 no Portal da Transparência e aguarda retorno.
Leia mais: Sou Manaus 2025: Prefeitura de Manaus é alvo de críticas após o festival


