Após o Portal O Convergente falar sobre o mau uso da verba pública por parte do Distrito Sanitário Especial Indígena em Manaus (Dsei-Manaus), coordenado pelo enfermeiro sanitarista Januário Neto, uma suposta manifestação “favorável” ao órgão foi feita esta semana em Manaus. O ato, segundo fontes que entraram em contato com O Convergente, foi supostamente “manipulado” para favorecer o atual coordenador.
O ato, que foi publicado na página oficial do Dsei-Manaus, ocorreu na sede do órgão nesta terça-feira, 14/6. Conforme a publicação, o mesmo reuniu lideranças indígenas das comunidades de Autazes e Careiro da Várzea.
“O Polo Base Pantaleão e Murutinga fizeram uma visita ao DSEI Manaus para alinhamento das demandas. As mais de 100 lideranças manifestaram em defesa da SESAI e DSEI Manaus!!!”, diz a publicação que incluiu um vídeo na postagem.
Confira:
O fato, porém, chama atenção por não ser muito algo comum no local e por acontecer em meio às denúncias feitas recentemente contra o coordenador do órgão, Januário Neto. Algumas, inclusive, feitas ao Portal O Convergente.
Em uma delas foi relatada a falta de apoio do Dsei Manaus a boa parte das comunidades indígenas, que fazem parte da jurisdição do órgão.
Na época, as fontes consultadas pelo O Convergente, disseram que muitos dos recursos, recebidos pelo órgão, foram gastos de forma “suspeita” ou, possivelmente, com contratações para fins de favorecimento de empresários ou, provavelmente, para fins próprios do coordenador atual que assumiu o cargo, em 2020, após indicações políticas.
Em 2020, por exemplo, o Dsei Manaus gastou mais de R$ 14 milhões com locação de mão de obra, passagens e despesas como locomoção, entre outros. Alguns gastos chamaram a atenção, como a despesa estimada em pouco mais de R$ 75 mil com uma loja especializada em venda de piscinas.
Questionado pelo O Convergente, Januário Neto, negou os gastos “inapropriados” e disse não haver falta de assistência às comunidades. Assim como negou as denuncias referentes aos gastos feitos pelo Dsei Manaus em 2021, estimados em mais de R$ 21,7 milhões.
Entre os valores está o gasto com a contratação de uma empresa especializada em locações de veículos, por mais de R$ 1,9 milhão. A empresa, conforme as denúncias estabeleceu um contrato com o órgão, supostamente, em troca de favores políticos.
Fato esse mais uma vez negado por Neto, que informou na época que “todos os serviços contratados pelo DSEI Manaus seguem protocolarmente o regramento legal de contratos e licitações, iniciando com a demanda existente advinda das necessidades da base, com planejamento, publicidade, execução, fiscalização e controle”.
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Da Redação
Fotos: Divulgação / Ilustração: Neto Ribeiro