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domingo, abril 6, 2025

Chefe da OMS adverte que pandemia está longe de acabar

Em entrevista coletiva na sede da OMS, em Genebra, Tedros disse a repórteres que a ômicron levou a 18 milhões de novas infecções em todo o mundo na semana passada

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O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, emitiu um alerta aos líderes mundiais de que a pandemia do novo coronavírus “não está nem perto do fim”.

Tedros Adhanom Ghebreyesus advertiu contra a suposição de que a variante ômicron seja mais suave do que as anteriores — e de que, portanto, seria uma ameaça menor.

Nesta semana, alguns países europeus registraram novos números de casos.

A França registrou quase meio milhão de novos casos diários na terça-feira, 18. Nesta quarta-feira, 19/1, pela primeira vez desde o início da pandemia, mais de 100 mil novas infecções foram registradas na Alemanha em 24 horas.

Em entrevista coletiva na sede da OMS, em Genebra, Tedros disse a repórteres que a ômicron levou a 18 milhões de novas infecções em todo o mundo na semana passada.

Embora a variante possa ter consequências menos graves para muitos pacientes, “a narrativa de que ela é uma doença leve é enganosa”, disse ele. “Não se engane, a ômicron está causando hospitalizações e mortes — e mesmo os casos menos graves estão enchendo as unidades de saúde.”
Ele alertou os líderes globais que “com o incrível crescimento global da ômicron, novas variantes provavelmente surgirão, e é por isso que o rastreamento e a avaliação permanecem críticos”.

“Continuo particularmente preocupado com muitos países que têm baixas taxas de vacinação, pois as pessoas correm muito mais risco de doenças graves e morte se não forem vacinadas”, acrescentou.

O diretor de emergências da OMS, Mike Ryan, também alertou que o aumento da transmissibilidade da ômicron provavelmente levará a um aumento nas hospitalizações e mortes, especialmente em países onde menos pessoas são vacinadas.

“Um aumento exponencial de casos, independentemente da gravidade das variantes individuais, leva a um aumento inevitável de hospitalizações e mortes”, disse ele.

Casos diários na Europa – Novas infecções por coronavírus vêm crescendo em toda a Europa à medida que a nova variante se espalha por todo o continente.

Na Dinamarca, as autoridades relataram um recorde de 33.493 novos casos diários de covid-19 na terça, enquanto as autoridades de saúde da Itália registraram 228.179 novas infecções (contra 83.403 no dia anterior).

Na Alemanha, um recorde de 112.323 novos casos foi relatado nesta quarta, e a taxa de incidência de casos por 100 mil pessoas também subiu para um novo recorde de 584,4 na semana passada.

Enquanto isso, a França registrou 464.769 novas infecções diárias na terça, mais de quatro vezes maior que o número de 102.144 de segunda e um recorde diário para a pandemia. As infecções já ultrapassaram uma média semanal de mais de 300 mil novos casos por dia no país.

Em meio ao último aumento, os ministros franceses também estão enfrentando uma disputa com os sindicatos de professores, que convocaram uma grande greve nesta semana para protestar contra os testes de Covid-19 e os protocolos de isolamento do governo, que estariam provocando atrasos nas aulas.

Na semana passada, uma paralisação fechou metade das escolas primárias do país. Os professores dizem que as interrupções nas aulas estão fora de controle, com muitos pais com dificuldades para marcar vacinação para seus filhos e longas filas se formando do lado de fora das farmácias, enquanto os alunos esperam pelos testes.

O ministro da Educação francês, Jean-Michel Blanquer, está sendo pressionado para pedir demissão depois que se descobriu que ele estava de férias em Ibiza no momento em que anunciou um protocolo rigoroso de testes de Covid-19 para escolas.

Em meio a este cenário, no entanto, existem algumas indicações iniciais de que a onda de ômicron poderia já ter atingido o pico em alguns países europeus.
Na Irlanda, houve queda no número de novos casos nos últimos dias, com o ministro da Saúde Stephen Donnelly dizendo à emissora pública RTÉ que as restrições introduzidas no Natal e no Ano Novo podem ser afrouxadas até o final do mês.

Dados do governo espanhol mostraram que novas infecções começaram a cair pela primeira vez desde que a onda começou, há dois meses e meio — embora especialistas digam que não se pode interpretar demais dados preliminares.

No Reino Unido, os ministros do governo devem revisar as restrições ao coronavírus nesta quarta, em meio a uma queda nas infecções diárias.

Variante – A Ômicron tem se mostrado não uma nova onda da Covid-19, mas um verdadeiro tsunami, provocando uma explosão de casos. Da experiência desses lugares vem sendo possível prever o tempo de duração da crise: entre quatro e seis semanas de aumento vertiginoso no número de infecções até atingir o pico, seguido por, da mesma forma, queda acentuada. Caso o Brasil siga esse padrão, estaríamos a duas ou três semanas do pico e, assim, entrando logo em queda.

A África do Sul, onde a variante foi identificada no final de novembro, é o primeiro exemplo. Após atingir o auge em 17 de dezembro, com 23 mil casos, atualmente tem número menor de casos do que nos primeiros dias daquele mês, com 4.636.

O Reino Unido já consolidou a mesma curva, embora ainda mantenha um número bem alto de infecções já que a onda chegou depois. De maneira mais recente, Canadá, Austrália e cidades populosas dos Estados Unidos, como Nova York, também já observam o número de casos despencar.

Para o infectologista, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o padrão na curva dos outros países é claro: subida por cerca de cinco semanas e, depois, queda. No Brasil, isso deve se repetir:

“Vamos observar essa curva aqui e o estado onde isso será visto precocemente é São Paulo, que teve os primeiros casos. No entanto, como teve réveillon e férias, houve uma sincronização entre as regiões. É um tsunami que vem e vai muito rapidamente. Se considerarmos a semana entre Natal e Ano Novo como início da curva epidemiológica, teremos o pico no começo de fevereiro para depois começar a queda. Isso, claro, se a nossa curva epidêmica se comportar de forma semelhante”, disse.

Segundo Croda, o platô observado em outras ondas não se repete porque a taxa de transmissão é quatro vezes maior do que o vírus original e não há medidas restritivas dessa vez. Depois, quando o vírus não encontra pessoas suscetíveis, ou porque estão muito bem protegidas pela vacinação ou porque já foram infectadas, ocorre a queda é acentuada.

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, que tem pós-doutorado em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins, considera a Ômicron “mais explosiva” do que as outras cepas do SARS-CoV-2, por isso a curva é tão aguda. Mas alerta para a falta de dados para o Brasil poder ter mais clareza sobre seu momento na pandemia:

“O problema no Brasil é o de sempre: não temos testes, e com o apagão de dados temos menos noção ainda do que está acontecendo. É difícil cravar com precisão acertada”, afirma.

Outros fatores especificamente regionais podem interferir. Os médicos temem um repique no fim das férias e volta às aulas ou, ainda, provocado pelo Carnaval. Por isso, é importante que haja forte investimento na dose de reforço para toda a população e aceleração na vacinação das crianças.

O infectologista Filipe da Veiga explica que há formas de garantir uma queda mais acentuada no número de casos.

“Vejo que alguns países caem mais rápido que outros. O ‘Vaccines-plus’ é uma sequência de orientações dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no fim de 2021, que se somam à vacina: autotestes, isolamento por sete dias e uso de máscaras melhores, que não de pano, para reforçar a barreira. Os países que adotam testagem maciça e autoisolamento, em duas semanas têm 30% de queda de casos” afirma Veiga.

Para o médico, embora tudo indique que essa onda vai ser mais breve, não dá para relaxar:

“Acho que alguns estados podem enfrentar colapso no sistema de saúde. As vacinas ditam como vão ser mortes e internações, mas é o comportamento humano que dita a transmissão”, revelou.

A OMS também evita comemorar antes da hora. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou ontem que ainda há muito pela frente.

“Esta pandemia está longe de terminar, e dado o incrível crescimento da Ômicron em todo o mundo, é provável que surjam novas variantes”, disse Adhanom em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

“Em alguns países, os casos de Covid parecem ter atingido o pico, dando esperança de que o pior desta última onda já passou, mas nenhum está fora de perigo ainda”, disse.

O exemplo de outras nações traz além de esperança, informações úteis. Para Julio Croda, é fundamental usar o exemplo das curvas epidemiológicas para que o poder público brasileiro se organize:

“A mensagem é que a gente tem que aprender com outros países e planejar melhor. Não é surpresa o que vai acontecer em poucas semanas, por isso precisamos investir em leitos de enfermaria e testes para a população”, finalizou.

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Com informações das assessorias de comunicação

Foto: Fabrice COFFRINI / AFP

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