O domingo foi de frustração para os filiados do PSDB que foram às urnas para escolher o candidato do partido para a presidência da República. O aplicativo que deveria contabilizar os votos aos candidatos Arthur Virgílio Neto, João Doria e Eduardo Leite não comportou a quantidade de votantes e a instabilidade não permitiu que o pleito tivesse continuidade. Com isso, a direção nacional do partido deve definir nesta segunda-feira, 22/11, uma nova data da realização das prévias.
Os candidatos Arthur Virgílio e João Doria defendem que a eleição seja finalizada no próximo domingo, dia 28, no entanto, Eduardo Leite defende que o pleito ocorra nesta terça-feira, 23. A definição sobre o dia da votação remota deve sair de uma reunião marcada para às 14h de hoje entre o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo e a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAUFRGS), desenvolvedora do aplicativo utilizado nas prévias do partido.
Araújo disse que a decisão será tomada de acordo com parecer técnico sobre a real situação do aplicativo, que custou cerca de R$ 1,5 milhão. “Em havendo tempo de resolução de curtíssimo prazo, a ideia é que ele seja disponibilizado imediatamente para o filiado”, destacou o presidente do PSDB após reunião com Doria, Leite, Virgílio e outros dirigentes do partido. “Se não for em curto prazo, as campanhas vão dialogar. Prazo limite (para as prévias) depende de questão técnica”, afirmou.
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Em nota, a FAURGS afirmou que está investigando as causas da instabilidade no aplicativo. “Os esforços dos técnicos da instituição estão em descobrir a causa da lentidão do sistema. Assim que houver total comprovação, o detalhamento desse ocorrido será levado a público”, disse a instituição, que negou relação com compra de licenças para realizar o reconhecimento facial dos filiados, como chegou a se especular mais cedo.
De acordo com a FAURGS, a segurança do sistema de apuração não foi afetada. “Todo o processo está sendo acompanhado por técnicos representando as três chapas inscritas, garantindo lisura e transparência”, finaliza a nota.
Conforme a organização das prévias, somente 10% dos inscritos conseguiram votar na eleição interna. Mais de 44 mil filiados aptos a votar foram cadastrados no APP. Os filiados tiveram um mês, entre 14 de outubro e 15 de novembro, para se inscreverem no aplicativo. O cadastro pedia informações pessoais, como nome, documento de identidade e título de eleitor, e exigia fazer uma validação facial. Só estavam aptos a votar membros cujas filiações fossem anteriores a 31 de maio.
Nota conjunta – No início da noite de ontem, as campanhas de Arthur Virgílio Neto e João Doria divulgaram uma nota conjunta em que defendem o uso de urnas eletrônicas e que já havia sido alertado quanto a fragilidade do aplicativo e os problemas de instabilidade e insegurança que o modelo proposto poderia trazer para as primárias.
Íntegra na nota
Desde o início do processo de prévias, as campanhas dos candidatos do PSDB à presidência da República, João Doria e Arthur Virgílio, defenderam a ampla participação de todos os filiados.
Defenderam também a utilização de urnas eletrônicas, que regem o sistema eleitoral brasileiro de forma segura, simples e transparente.
Foi alertado durante todo o processo sobre a fragilidade do aplicativo e os problemas de instabilidade e insegurança que o modelo proposto poderia trazer para as primárias.
Mesmo diante dos alertas de ambas as campanhas e da Kryptus, auditoria contratada pelo próprio partido para garantir a lisura da eleição, a direção do PSDB optou por manter o contrato com a FAUGRS (Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sediada em Pelotas) e o uso da plataforma.
Diante das inúmeras falhas do próprio aplicativo, ocorridas durante o todo o processo de votação, neste domingo (21), se faz necessário o ajuste imediato do aplicativo.
É urgente retomar o processo de escolha do candidato em respeito aos filiados tucanos e o seu direito de votar.
Tanto Doria quanto Arthur Virgílio defendem a data do dia 28 de novembro, próximo domingo, para que o processo de prévias se encerre de forma rápida, eficiente e justa. Lembrando que o prazo já era previsto em resolução pela Comissão das Prévias como um possível segundo turno.
Prolongar ainda mais o processo de prévias seria um desrespeito aos filiados tucanos e ao processo democrático.
João Doria e Arthur Virgílio
Leite – Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite quer concluir a votação até esta terça-feira por considerar que adiar o processo para domingo significaria reabrir a campanha por busca de apoio entre os filiados.
“Adiamento por uma semana não é razoável. Haveria reabertura de campanha nesta semana”, declarou o governador, que ainda desmentiu trecho da nota conjunto de Doria e Virgílio. O comunicado de Doria dizia que a FAUGRS era sediada em Pelotas, onde Leite foi vereador e prefeito, quando, na verdade, fica em Porto Alegre.
“A campanha de Eduardo Leite aceita mais 48 horas de votação, desde que garantida a capacidade técnica para votação de todos os cadastrados que assim desejarem”, diz uma nota divulgada pela campanha de Leite também nesta noite. “Com mais do que isso, as prévias perderiam sua integralidade, seja pelo prazo, seja pelo número de votantes, seja pela incapacidade técnica do aplicativo, seja pela agressão ao ato normativo eleitoral ou seja pelas denúncias de irregularidades de todo o tipo, que se avolumaram no dia de hoje e que poderiam ensejar judicializações e sindicâncias indesejadas”, acrescenta.
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Da Redação com informações O Estado de S.Paulo
Fotos: Karla Vieira / assessoria de imprensa Arthur Virgílio Neto e divulgação