A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a Papudinha, em Brasília, transformou a unidade prisional em ponto de articulação política para as eleições de 2026. Desde 15 de janeiro, quando passou a cumprir prisão no local, Bolsonaro recebeu 27 pedidos de visita além de advogados e familiares diretos, a maior parte de pré-candidatos que buscam apoio para disputar cargos majoritários.
Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que, do total de solicitações, 17 são de nomes que pretendem concorrer em 2026. Entre eles, 12 almejam governos estaduais ou vagas no Senado, postos considerados estratégicos pelo grupo bolsonarista.
Rio lidera movimentação
No Rio de Janeiro, o senador Carlos Portinho (PL) esteve com o ex-presidente nesta quarta-feira (18) para discutir sua tentativa de reeleição. Também são cotados no estado o governador Cláudio Castro (PL), impedido de disputar novo mandato ao governo, e o deputado federal Hélio Lopes (PL), aliado próximo da família Bolsonaro e incentivado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Outros nomes do estado também formalizaram pedidos de visita, como o empreiteiro Renato Araújo, que pretende disputar vaga na Câmara, e o deputado estadual licenciado Anderson Moraes (PL), atualmente secretário no governo fluminense e provável candidato a deputado federal.
Disputas espalhadas pelo país
Além do Rio, cenários eleitorais de ao menos oito estados foram debatidos com Bolsonaro: Paraíba, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.
No Rio Grande do Sul, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL) deve tratar com o ex-presidente sua pré-candidatura ao Senado. Também aparecem como possíveis concorrentes o deputado Marcel van Hattem (Novo) e o senador Luis Carlos Heinze (PP).
Em Goiás, o senador Wilder Morais (PL) já se reuniu com Bolsonaro e busca o aval direto do ex-presidente, que mantém interlocução com o governador Ronaldo Caiado (PSD).
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) também deve visitar o ex-presidente. Ele é cotado para disputar o governo de Minas Gerais, hipótese defendida por Flávio Bolsonaro.
No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes (PL) planeja encontro em março para discutir eventual candidatura ao governo estadual, diante de divergências internas no partido.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já esteve com Bolsonaro e defendeu a composição de uma chapa ao Senado que inclua um nome de perfil mais moderado, além do deputado Guilherme Derrite (PP), cujo nome é dado como certo para uma das vagas. Derrite recebeu autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para visitá-lo por duas horas na próxima semana.
Dois pedidos foram negados até o momento: o do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também investigado, e o do senador Magno Malta (PL-ES), que tentou ingressar na unidade sem autorização prévia. Outros pedidos seguem pendentes de análise.
Com a renovação de duas cadeiras do Senado em cada estado prevista para 2026, aliados avaliam que o aval de Bolsonaro pode ser decisivo na definição de candidaturas e na reorganização das forças da direita nos estados.


