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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Relatório da PF cita mensagens sobre pagamentos ligados a empresa associada a Toffoli

Documento enviado ao STF aponta conversas entre banqueiro Daniel Vorcaro e familiares sobre transferências relacionadas à venda de resort

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Um relatório encaminhado pela Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reúne mensagens que mencionam pagamentos destinados à empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli.

Segundo o documento, as conversas teriam ocorrido entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que é casado com Natália Vorcaro, irmã do empresário. Zettel chegou a ser detido durante as investigações e, conforme a apuração, atuava na administração financeira de interesses ligados ao banqueiro.

Nas mensagens analisadas pela PF, os dois discutem transferências financeiras relacionadas à negociação de um resort que tinha a Maridt como uma das empresas participantes. Há referências a pagamentos efetuados em 2025, período em que o negócio teria sido concluído.

O relatório também menciona trocas de mensagens entre Toffoli e Vorcaro. De acordo com pessoas que tiveram acesso ao material, os diálogos entre os dois não tratariam de operações financeiras ou acordos comerciais, limitando-se à marcação de encontros e eventos sociais. Há, inclusive, citações sobre confraternizações com a participação de outras autoridades públicas.

O conteúdo do documento foi compartilhado por Fachin com outros integrantes do Supremo. A Polícia Federal avalia que, diante dos elementos apresentados, Toffoli poderia ser considerado suspeito para permanecer na relatoria do processo envolvendo o banco ligado ao caso. O ministro foi oficialmente notificado para prestar esclarecimentos.

Participação societária e transferência de recursos

Anteriormente, o próprio Toffoli reconheceu ter recebido valores provenientes da empresa Maridt após a venda da participação societária no resort Tayayá, em 2021. A negociação foi realizada com o fundo Arleen, que integra um grupo de investimentos relacionado ao banco Master, controlado por Vorcaro.

Segundo o magistrado, os recursos recebidos ocorreram devido à sua condição de sócio da empresa, ao lado de familiares. Ele afirmou a interlocutores do STF que a Maridt é uma companhia familiar da qual participa há vários anos.

Apesar disso, o nome de Toffoli não consta em registros públicos da empresa, pois a Maridt opera como sociedade anônima de capital fechado, modalidade em que a identificação dos acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro aparecem oficialmente como administradores.

O ministro também sustenta que todas as movimentações financeiras foram legais, declaradas às autoridades fiscais e possuem origem e destino rastreáveis.

Negociação do resort e investigações

A Maridt detinha cerca de 33% de participação no resort Tayayá antes da venda para o fundo Arleen. Segundo informações repassadas por Toffoli a interlocutores, o próprio fundo posteriormente repassou as ações para terceiros, obtendo lucro na operação.

De acordo com o magistrado, à época da negociação, Vorcaro não era alvo de investigações criminais e era considerado um nome em ascensão no setor financeiro.

O ministro também teria destacado que autorizou pedidos apresentados pela Polícia Federal no âmbito das apurações contra o banqueiro, incluindo solicitações de busca e apreensão relacionadas às investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo o banco Master.

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