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terça-feira, janeiro 27, 2026

Caso Banco Master pode influenciar as eleições de 2026? Entenda

Cientista político e especialista em Marketing Político analisam quais impactos o caso do Banco Master pode ter no pleito de 2026

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O escândalo que envolve o Banco Master já ultrapassou todas as esferas da sociedade brasileira. Dia após dia, mais pessoas influentes são relacionadas às operações da Polícia Federal, novas fraudes são descobertas e mais mandados de busca e apreensão são emitidos, resultando no resgate de veículos de luxo, documentos e dinheiro em espécie, que irão subsidiar as investigações.

No entanto, o que se observa é que este ano o Brasil passará por Eleições Gerais, nas quais o eleitor escolherá quem vai comandar o país (presidente e vice-presidente); os estados (governadores e vice-governadores); o Congresso Nacional (senadores e deputados federais); e as casas legislativas estaduais em todo o território nacional (deputados estaduais). Mas em que ponto o caso do Banco Master pode influenciar as Eleições de 2026?

Em busca de respostas para essa questão emblemática, conversamos com o cientista político Helso Ribeiro e o especialista em Marketing Político Lucas Pimenta, mais conhecido como “@lucaspimentanosolhos” nas redes sociais, para entender até que ponto o escândalo do Banco Master pode mexer no tabuleiro político nacional e estadual.

Helso Ribeiro, advogado, professor e cientista político, afirmou acreditar que o caso ainda vai resvalar em muitos políticos, independentemente de lados. Nos bastidores, o especialista destaca que tem conversado com pessoas de todas as esferas da sociedade e que o assunto reverbera. Helso acredita que direita, esquerda, centrão e demais envolvidos no processo eleitoral vão, sim, utilizar o caso do Banco Master como mote de suas campanhas para atacar adversários, jogando a culpa uns nos outros.

“Eu tenho conversado com pessoas de todas as tendências e acredito que a ‘fedentina do Banco Master’ vai atingir direita, esquerda, centro e pessoas dos mais diversos direcionamentos políticos. E aí é o tal negócio: cada um vai querer se apropriar à sua maneira, tentando sempre colocar o outro no olho do furacão — a culpa é do outro, o outro está envolvido com a falcatrua. É quase impossível, muito difícil no Brasil, o político fazer ‘mea culpa’, de dizer: nós erramos aqui, nós erramos ali, eu errei nessa companhia, eu errei nessa coligação. É dificílimo isso. E, pelo que a gente está vendo, essa questão do Banco Master vai ser tiro para todo lado. Vamos ver no que isso vai dar”, asseverou.

Já Lucas Pimenta, especialista em Marketing Político, pontuou que, em pesquisas de buscadores na web, as pessoas demonstram interesse em acompanhar o desenrolar do caso do Banco Master, mas que os políticos, principalmente os maiores jogadores do game político, evitam se aprofundar no tema. Isso porque a situação é delicada e envolve figuras da direita, da esquerda, do centrão e, inclusive, do Judiciário.

“Levantamentos de dados em redes e no Google Trends mostram que é um tema de interesse das pessoas, mas que os políticos, em especial os grandes players, não se aprofundam. Isso acontece porque o caso envolve, direta ou indiretamente, figuras proeminentes da direita, da esquerda e do Judiciário. Por exemplo, ao mesmo tempo em que o sócio de Daniel Vorcaro foi o maior doador de campanha de Bolsonaro e Tarcísio em 2022, não param de pipocar notícias sobre o relacionamento de figuras ligadas ao governo, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, com o caso”, ressaltou.

Escândalo suprapartidário

O especialista classifica o escândalo do Banco Master como suprapartidário, ou seja, por envolver todos os campos ideológicos. No momento, o tema é considerado sensível e vem sendo evitado no meio político.

“Então, por mais que exista um apelo junto à população — em especial com a classe média no caso do Master e com os mais pobres no caso do Will —, é um escândalo, digamos, suprapartidário. Como tem sido, os políticos não têm negado falar, mas evitam aprofundar. E assim seguirá na comunicação até que o tema, do ponto de vista político e judicial, esteja apaziguado”, avaliou.

Pauta principal

Pimenta ressalta, ainda, que não há como o tema ficar de fora das eleições deste ano e se tornar pauta central, haja vista que as investigações estão em andamento e muita coisa ainda pode acontecer no cenário político quando o assunto é o escândalo do Banco Master. Ele acredita que certamente será utilizado no momento oportuno das eleições, principalmente se o caso vier a se transformar em uma crise no sistema financeiro do país.

“É claro que, se houver novos desdobramentos e essa crise de um banco se transformar em uma crise no sistema financeiro, impactando diretamente todo o país, em larga escala e por um período prolongado, tornar-se-á insustentável não torná-lo a pauta central da eleição”, finalizou.

Caso Banco Master

Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, uma medida extrema tomada diante de uma grave crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras. Desde então, o caso se tornou um dos mais complexos e comentados do sistema financeiro nacional, envolvendo investigações da Polícia Federal e disputas entre instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A liquidação foi acompanhada da deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraude bilionária envolvendo o Banco Master. As suspeitas incluem:

  • Emissão de títulos de crédito falsos;
  • Manipulação contábil para inflar artificialmente os ativos do banco;
  • Venda de carteiras de crédito fictícias, especialmente ao Banco de Brasília (BRB);
  • Possível envolvimento de influenciadores digitais em campanhas para desacreditar o Banco Central e defender o Banco Master.

As investigações continuam em andamento, com depoimentos colhidos de diversos envolvidos, incluindo ex-dirigentes do BRB e representantes do Banco Central.

Leia mais: Levantamento aponta aumento de atuação de parentes de ministros do STF em tribunais superiores

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