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sábado, fevereiro 14, 2026

Prisão de Bolsonaro teria rompido vínculo político com Trump, avalia diplomata americano

Especialista em América Latina afirma que Trump passou a ver Bolsonaro como “perdedor”

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Em conversa com a BBC News Brasil, o ex-embaixador dos Estados Unidos no Panamá John Feeley, apontado como um dos principais especialistas em América Latina do Departamento de Estado norte-americano, analisou o cenário político envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e a postura do presidente dos EUA, Donald Trump.

De acordo com Feeley, a relação política entre Trump e Bolsonaro teria se enfraquecido após a prisão do ex-presidente brasileiro. Na avaliação do diplomata, Trump passou a enxergá-lo como “um perdedor” e, por esse motivo, deixou de demonstrar interesse em apoiá-lo.

“Assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”, afirmou.

Feeley também minimizou o nível de atenção de Trump em relação à política brasileira. Segundo ele, o presidente americano não acompanha de perto os desdobramentos no Brasil e teria abandonado Bolsonaro assim que este deixou de exercer influência relevante no cenário político nacional.

“Não acho que Donald Trump saiba muito sobre Bolsonaro. Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil. E assim que Bolsonaro deixou de ser uma referência na política brasileira e o Estado de Direito e a justiça democrática prevaleceram no Brasil, Donald Trump simplesmente o descartou”.

Durante a entrevista, o ex-embaixador classificou Trump como um “narcisista” e alguém com quem negociações são extremamente difíceis. Por isso, na visão dele, o recuo em tarifas e eventuais sanções envolvendo o Brasil pode ser interpretado como um fator de sorte para o atual governo brasileiro.

“Acho que Lula, francamente, teve sorte. E eu encorajaria tanto Lula quanto praticamente qualquer líder a se manterem fora da órbita de Trump, na medida do possível”.

John Feeley deixou o serviço diplomático dos Estados Unidos em 2018, ainda no primeiro mandato de Donald Trump, após discordar de decisões adotadas pela gestão republicana. Desde então, atua fora da diplomacia, ocupando o cargo de diretor executivo do Centro para a Integridade da Mídia das Américas (CMIA), organização voltada à promoção da transparência e da responsabilidade no ambiente informativo do continente.

Leia mais: Guerra na Ucrânia: Trump e Zelensky dizem estar perto de acordo de paz

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