A Polícia Federal (PF) informou que agências da Caixa Econômica Federal e do Santander foram utilizadas para movimentar R$ 331 milhões em depósitos em espécie feitos por uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis. As transações ocorreram por meio de 9.560 depósitos em dinheiro vivo, sem que fossem comunicadas aos órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que contraria as normas antilavagem.
Normas descumpridas
De acordo com as regras do Coaf, operações suspeitas ou acima de R$ 30 mil devem ser obrigatoriamente comunicadas, com a identificação do cliente e a origem dos recursos. A investigação apontou que, no caso em questão, não houve registro adequado, o que permitiu que os valores circulassem sem fiscalização.
As apurações fazem parte da Operação Tank e foram conduzidas pelo delegado Mateus Marins Corrêa de Sá, do Grupo de Investigações Sensíveis (Gise) da PF no Paraná. O relatório identificou que as movimentações estavam vinculadas à empresa Tycoon Technology Instituição de Pagamento, sediada em Curitiba e criada em 2016.
A Tycoon era controlada majoritariamente por Rafael Belon, que detinha 99% das ações e foi preso em 28 de agosto de 2025. A companhia usava ordens de crédito por teleprocessamento (OCT) e contas-bolsão para operar os depósitos sem identificar os reais responsáveis pelo dinheiro, dificultando o rastreamento.
Posicionamento dos bancos
O Santander afirmou, em nota, manter “sistemas robustos e contínuos de controle” e reforçou o compromisso com a legislação de prevenção à lavagem de dinheiro, mas disse estar impedido de comentar casos específicos.
Já a Caixa declarou cooperar integralmente com as autoridades, destacando que informações sobre investigações são sigilosas e repassadas exclusivamente à PF e ao Coaf. O banco também afirmou monitorar movimentações consideradas suspeitas.
A PF apontou falhas na comunicação de atividades financeiras suspeitas, o que possibilitou a movimentação de grandes quantias sem a devida transparência. Em alguns relatórios, surgiram menções ao Primeiro Comando da Capital (PCC), embora o foco da operação seja o esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis.


