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sábado, abril 5, 2025

Amazonas se aproxima de fase laranja para Covid-19 e festas de Réveillon devem ser canceladas em todo o Estado

O governador Wilson Lima determinou a suspensão das festas de Réveillon no Amazonas, após os dados epidemiológicos indicarem aumento de casos de Covid-19 no Estado. O Amazonas segue na fase amarela (baixo risco), mas se aproxima da fase laranja (risco moderado) na transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2)

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O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) determinou o cancelamento das festas de Réveillon no Estado nesta quarta-feira, 8/12, em razão do aumento no número de novos casos de Covid-19 e o avanço da variante Ômicron no mundo. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) indicam o diagnóstico de 202 novos casos de Covid-19 e um óbito ocorrido na terça-feira, 7/12, elevando para 13.812 o total de mortes no Amazonas.

O município de Manacapuru foi o primeiro do Amazonas a oficializar o cancelamento da festa, no dia 2 deste mês. Depois disso, as prefeituras de Manaus e Presidente Figueiredo também comunicaram o cancelamento dos eventos nos últimos dias.

Na noite da última terça-feira, 7/12, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do Estado decidiu suspender a realização de eventos com mais de três mil pessoas em território amazonense. As novas regras constarão em decreto válido para o período de 15 de dezembro de 2021 a 15 de janeiro de 2022.

Cancelamentos do Réveillon – A Prefeitura de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) comunicou o cancelamento da festa de Réveillon na cidade por meio de um comunicado publicado nas redes sociais.

“Após uma reunião com a equipe da secretaria de saúde, analisando o surgimento de uma nova variante do Coronavírus e a preocupação com um possível aumento de casos no município, o prefeito Beto D’Angelo decidiu não realizar a festa de réveillon em Manacapuru”, diz a publicação.

No último sábado, 4, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), determinou o cancelamento das festas na capital após recomendação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

“Mesmo esse evento que iria gerar centenas de emprego e iria ajudar centenas de pessoas que estão precisando de renda neste final de ano, a nossa maior preocupação é com a vida das pessoas. Portanto, atendendo às recomendações da ciência e da medicina, nós estamos cancelando as festas de Réveillon deste final de ano na cidade de Manaus”, declarou David Almeida.

David Almeida cancelou as festas, mas declarou que terá a tradicional queima de fogos em pontos estratégicos da capital amazonense. “Nós vamos fazer uma queima de fogos na Ponta Negra, Viver Melhor, Itaúba e outras zonas da cidade. Vamos evitar o show na praia, por medidas de segurança, mas vamos celebrar a chegada do novo ano dessa forma, iluminando os principais pontos da cidade, afirmou.

Em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus) a decisão de cancelar a festa Réveillon e o aniversário da cidade, no próximo dia 10, foi tomada pela prefeita Patrícia Lopes (MDB), em reunião com secretários municipais, membros do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e vereadores.

Atividades como a corrida pedestre, entrega do letreiro “Eu Amo Presidente Figueiredo”, entrega da árvore de Natal e cerimônias com restrições da quantidade de pessoas serão mantidas no município, além da possibilidade de manter a tradicional queima de fogos na virada de ano.

“Iremos ampliar as medidas de segurança para as outras ações, e vamos buscar formas de comemorarmos esse aniversário tão importante, de maneira segura para todos”, disse Patrícia Lopes.

Contramão – Enquanto Prefeituras do Amazonas e de outros estados do Brasil que estão cancelando as festas de Réveillon e outros eventos que ocasionem aglomerações, o prefeito de Tefé, Nicson Marreira (PTB) ainda mantém o evento no município. Mesmo com a determinação do Governo do Amazonas para o cancelamento dos eventos, até o momento, o prefeito de Tefé ainda não comunicou se a festa será cancelada.

“A festa da virada de ano traz consigo um momento de celebração e também de reflexão do ano que está passando, abrindo portas para firmar novos compromissos e objetivos para um novo ano. Pensando nisso, entendo que Tefé sofreu muito nos últimos anos, e merece uma virada digna da alegria que faz parte da alma do nosso povo. Estamos preparando uma noite muito especial e aqui vai um spoiler do que está por vir”, publicou Nicson em uma de suas redes sociais.

Após a publicação, o prefeito de Tefé recebeu várias críticas e algumas mensagens de apoio de moradores da cidade. “Sem necessidade seu prefeito. Tem no mínimo amor ao próximo. Será que o senhor não percebe que o mundo já não é mais o mesmo. Poxa chega de tantas mortes. Esse vírus maldito não acabou. Então pelo amor de Deus, pensa mais antes de fazer besteiras”, disse uma internauta.

“Omicron manda uma abraço para o prefeito….fica esperto”;

“Pow prefeito bola fora, faz isso não tou pedindo a Deus pra que não teja Carnaval nem essas festas de fim de ano que primeiro são festas, depois choros e enterros”;

“Acho que não é hora de fazer festa, pessoas enlutadas, necessitadas, desempregadas, famílias órfãs de seus entes queridos, pegue esse dinheiro ajude as famílias que estão necessitadas passando fome

“Pelo amor de Deus prefeito, deixa essa festa pra outra ocasião, a alegria pode durar uma virada de ano mais o choro é a dor vai durar muito mais que uma noite misericórdia, misericórdia Senhor”, comentaram moradores da cidade na publicação do prefeito Nicson Marreira.

Fase laranja – O Amazonas segue na fase amarela (baixo risco), mas se aproxima da fase laranja (risco moderado) na transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2), segundo destaca o boletim da Situação Epidemiológica da Covid-19 no Amazonas, edição número 30 do ano 2, divulgado nesta quarta-feira, 8, e disponível em: https://bit.ly/3rOdUKi.

Conforme o boletim, houve um aumento na pontuação do Estado a partir do cálculo de avaliação de risco de transmissibilidade do vírus de 8 pontos, em 11 de novembro, para 9 pontos em 6 de dezembro. O escore é o limite para a fase amarela e se aproxima da fase laranja que é indicada de 10 a 14 pontos.

O cálculo é realizado com base na evolução da pandemia e a capacidade do sistema de saúde do Amazonas. Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o novo escore está relacionado ao aumento de casos registrados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados nos últimos 14 dias, que inclui os casos graves de Covid-19.

Tatyana destaca que o Amazonas enfrenta o inverno amazônico, também conhecido como período chuvoso, que segue de novembro a maio. “Além do novo coronavírus, estão circulando vírus que podem levar a complicações clínicas e internações hospitalares. Por isso, é tão importante que todos façam uso das medidas preventivas à Covid-19”, afirma a diretora-presidente da FVS-RCP.

Entre os vírus que circulam o Estado nesse período chuvoso estão Influenza A e B, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Adenovírus, Parainfluenza, Coronavírus e Metapneumovírus.

Especificamente sobre o cenário epidemiológico de Covid-19, o boletim destaca que, nos últimos 14 dias, houve aumento na média diária de casos da infecção no Amazonas, aumentando de 24 para 32 casos por dia em Manaus e de 46 para 80 diários no interior do Estado.

Manaus é responsável por 54% dos casos registrados em todo o Estado em 2021. Alguns municípios do interior apresentaram aumento no número de casos, destacando-se Jutaí (1.654 casos), Boa Vista do Ramos (447) e Autazes (309).

Outro aumento registrado foi identificado na taxa de incidência de Covid-19 em diferentes faixas etárias na comparação entre outubro e novembro. “Houve um aumento dos casos em todas as faixas etárias, principalmente entre os que tem 20 a 59 anos. No entanto, durante todo o período da pandemia, a incidência foi maior em pessoas de 60 anos ou mais”, afirma o diretor técnico da FVS-RCP, Daniel Barros.

Já em relação às hospitalizações, nos últimos 14 dias, o boletim destaca que houve redução de 8% no número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados por pacientes com Covid-19 na rede de saúde pública. Nos hospitais privados, houve variação de 40%. Nos leitos clínicos, houve variação de 16% no número de leitos clínicos ocupados por pacientes com Covid-19 nos hospitais da rede pública e redução de 66% na rede privada de Manaus.

Nos últimos 14 dias, a média móvel diária de óbitos no Estado vêm apresentando estabilidade, com valores aproximados a 2 óbitos por dia. “As hospitalizações e óbitos permanecem estáveis. Há vários dias em novembro em que não foram registrados óbitos pela Covid-19 no Amazonas. Esses números baixos certamente se devem ao avanço da vacinação que protege contra o avanço da doença a casos mais graves e óbitos”, acrescenta o diretor técnico da FVS-RCP.

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Por Redação

Ilustração: Marcus Reis

 

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