Disputa ao Senado no Amazonas é redesenhada com novo cenário e amplia guerra por duas vagas em 2026

Com duas vagas em disputa em 2026, a eleição tende a ser uma das mais competitivas dos últimos anos no Estado.

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O cenário da corrida ao Senado no Amazonas ganhou novo redesenho com a movimentação em torno de Wilson Lima (União Brasil) e a presença de nomes já colocados ou cotados no tabuleiro político, como Eduardo Braga (MDB), Alberto Neto (PL), Marcos Rotta (Avante), Plínio Valério (PSDB) e Marcelo Ramos (PT). Com duas vagas em disputa em 2026, a eleição tende a ser uma das mais competitivas dos últimos anos no Estado.

Pesquisas divulgadas em março indicam que a disputa está aberta, com destaque para Alberto Neto e Eduardo Braga, que aparecem entre os nomes mais competitivos. O senador Plínio Valério também surge no bloco que disputa diretamente a segunda vaga, enquanto os demais buscam consolidar espaço político e eleitoral.

No levantamento do instituto AtlasIntel, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-06921/2026, Alberto Neto lidera com 24% das intenções de voto, consolidando força no campo conservador. Eduardo Braga aparece com 19,3%, seguido por Plínio Valério, com 17,4%, e Marcelo Ramos, com 15,3%. Marcos Rotta figura com 2,4% das citações.

Com a entrada de Wilson Lima no debate eleitoral, que deixou o cargo de governador do Amazonas no último sábado, 4, o quadro político indica um movimento de reorganização. Agora oficialmente lançado como pré-candidato ao Senado, segundo analistas, o ex-governador pode impactar alianças, fortalecendo ou enfraquecendo candidaturas e obrigando os grupos políticos a reverem suas estratégias.

Análise

Para o analista político e advogado Helso Ribeiro, o ambiente eleitoral da disputa ao Senado no Amazonas ainda está em formação e deve passar por novos ajustes ao longo dos próximos meses, especialmente com a consolidação das candidaturas e definição de alianças. Segundo ele, embora alguns nomes já larguem em posição de destaque, o ambiente eleitoral permanece aberto e sujeito a mudanças.

“Eu entendo que cada eleição tem um cenário peculiar. Agora, o fato de o ex-governador Wilson Lima voltar para o game, voltar para a disputa… Eu sempre falei que, se você pegar, não dá para apagar um milhão de votos que ele teve em duas ocasiões, em 2018 e 2022, mesmo com pandemia, com tudo. Então, acho que ele já traz um recall muito grande. É um nome que sai forte para o Senado. Ele tem articulações boas no interior, ele tem moeda de troca”, disse.

Helso Ribeiro (Arquivo/O Convergente)

Na avaliação do especialista, o desempenho eleitoral anterior e a presença política no interior do estado colocam Wilson Lima em posição de destaque na disputa.

Ao analisar o peso político do ex-governador no novo tabuleiro eleitoral, Ribeiro pondera que a saída do cargo reduz parte da força institucional, mas não elimina sua relevância no cenário.

“Eu acho que ele [Wilson Lima] vai cuidar da candidatura dele. Se ele estivesse no poder, ele teria a caneta, e a caneta pesa. Agora, ele tem os votos que recebeu, a transferência não é imediata, e o peso dele é ter governado sete anos o Amazonas e, nesses sete anos, nesses dois governos, ter tido uma votação imensa. É o peso dele nesse tabuleiro. Ainda que tenha tido desgastes, Wilson Lima teve realizações também”, avaliou.

Da esquerda para direita, Marcos Rotta, Eduardo Braga, Alberto Neto, Wilson Lima, Plínio Valério e Marcelo Ramos, todos pré-candidatos ao Senado (Ilustração: Ranyere Frota)

A partir desses elementos, Helso Ribeiro indica que o histórico eleitoral e a votação obtida ao longo dos últimos pleitos colocam o ex-governador em condição competitiva na disputa.

O analista também chama atenção para a particularidade da eleição de 2026, que contará com duas vagas ao Senado, o que altera significativamente a lógica da disputa e amplia as possibilidades de estratégia por parte dos candidatos.

Sobre a dinâmica da disputa com duas vagas em jogo, Helso Ribeiro aponta que, apesar da possibilidade de composições, a tendência é de uma corrida mais individualizada, com estratégias voltadas ao chamado “segundo voto”.

“Eu acredito que, ainda que candidaturas possam caminhar juntas, aqui nós já vimos isso [em 2024], ainda que sejam duas vagas [ao Senado], eu vejo que vai ser cada um por si. Talvez alguns candidatos trabalhem até nessa hipótese do segundo voto, que pega muito de: ‘o primeiro voto é nele, mas o segundo é meu’. Isso aí ajuda a eleger”, disse Helso ao portal O Convergente.

Complexidade

O fato de a eleição contar com duas vagas amplia ainda mais a complexidade do pleito. Segundo analistas, esse modelo favorece composições políticas, “votos casados” e rearranjos entre diferentes campos ideológicos, incluindo direita, centro e grupos ligados tanto ao governo quanto à oposição. Nesse contexto, nomes como Marcelo Ramos e Marcos Rotta ganham relevância por sua capacidade de influenciar alianças e fragmentar bases eleitorais.

Analistas apontam que, com o cenário ainda em formação, o capital político, a estrutura partidária e a capacidade de articulação serão determinantes para definir quem sairá fortalecido na disputa. A presença de nomes já conhecidos do eleitorado também tende a pesar, sobretudo em uma eleição marcada pela fragmentação de votos.

Leia mais: Nova pesquisa mostra cenário equilibrado na disputa pelo governo e Senado no Amazonas

E o eleitor

Nas ruas, a movimentação política já desperta a atenção dos eleitores. Morador do bairro São Jorge, o autônomo Rian Santos, de 35 anos, afirma que ainda observa os nomes com cautela. “A gente vê muitos candidatos conhecidos, mas o que importa mesmo é o que cada um vai fazer. Eu ainda estou avaliando em quem confiar”, disse.

No bairro Manoa, o pastor Marcos Maciel, de 51 anos, destaca que a experiência conta na escolha. “Para o Senado, eu prefiro alguém que já tenha experiência, que conheça Brasília e saiba defender o Amazonas. Não dá para arriscar muito”, afirmou.

Também morador do Manoa, Luciano Maciel, de 49 anos, aponta que o apoio político pode influenciar na decisão do voto. “Vamos ver quem apoia quem. Se qualquer um apoiar Lula ou outro de esquerda, eu não voto. A gente quer alguém que trabalhe pelo Estado e seja certo”, comentou.

Em Itacoatiara, o entregador Ronne Santos, de 24 anos, afirma que o momento é de analisar os pré-candidatos, mas destaca que o histórico dos parlamentares conta, e muito, para a escolha final em quem votar nas Eleições 2026.

“A gente vê que os nomes lançados até agora são de quem já são políticos e o histórico sempre pesa muito na hora da escolha. Ainda não tenho um definido, mas com certeza será um candidato novo, pois chega de velha política”, ponderou.

Texto: Bruno Pacheco
Ilustração: Ranyere Frota
Revisão Jurídica: Letícia Barbosa

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