Por Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior
Existe um erro silencioso que se repete a cada ciclo eleitoral no Brasil — e ele custa caro:
a escolha de candidatos sem análise do planejamento de governo.
E esse erro não é abstrato. Ele aparece nos indicadores.
Quando observamos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), fica evidente que o Brasil ainda convive com profundas desigualdades regionais.
Na Região Norte, os estados ainda apresentam níveis médios de desenvolvimento, refletindo desafios estruturais persistentes em educação, renda e qualidade de vida.
Isso não acontece por acaso.
Isso é resultado direto de planejamento — ou da ausência dele.
A política brasileira ainda é muito movida por discurso, carisma e promessa.
Mas desenvolvimento econômico não nasce de promessa.
Nasce de planejamento.
PIB per capita: crescimento existe — mas não resolve sozinho
Quando analisamos o PIB per capita da Região Norte, o cenário revela um ponto crucial.
- Amazonas: cerca de R$ 30 mil por habitante
- Pará: cerca de R$ 29 mil
- Rondônia e Tocantins: acima de R$ 32 mil
- Acre e Amapá: abaixo de R$ 24 mil
Ou seja:
- existe geração de riqueza
- mas essa riqueza não se traduz de forma homogênea em desenvolvimento
Inclusive, o próprio Amazonas apresenta uma contradição relevante:
o estado possui desempenho econômico relevante, mas seu PIB per capita ainda é inferior à média nacional
E isso revela algo direto:
crescimento sem planejamento não garante desenvolvimento.
Manaus: crescimento populacional sem planejamento pressiona o sistema
Agora olha esse dado — e aqui entra o “gráfico mental” que você pode usar no artigo:
📈 Evolução da população de Manaus (últimos anos)
- 2022: ~2,26 milhões
- 2023: ~2,29 milhões
- 2024: ~2,31 milhões
- 2025: 2.303.732 habitantes

- Tendência clara: crescimento contínuo
- Resultado direto: pressão sobre infraestrutura urbana
Manaus não é uma cidade estagnada.
Ela cresce — e cresce rápido.
Mas crescimento populacional sem planejamento gera um efeito clássico:
- mais demanda por saúde
- mais demanda por saneamento
- mais pressão sobre mobilidade, moradia e serviços
E aí vem o ponto crítico:
o planejamento público não pode correr atrás — ele precisa antecipar.
Investimento público: onde o discurso vira realidade (ou não)
Dados recentes mostram que o Amazonas movimenta valores relevantes em orçamento público.
Em 2024, o estado registrou despesas totais superiores a R$ 34,5 bilhões
E Manaus, sozinha, executou mais de R$ 10,7 bilhões em despesas públicas
Agora vem a pergunta que o eleitor precisa fazer — e quase nunca faz:
- Quanto disso está indo para saúde?
- Quanto está indo para saneamento básico?
- E qual é o resultado concreto desses investimentos?
Porque não é sobre gastar.
É sobre gastar bem.
E aqui entra um dos maiores gargalos da Região Norte:
Mesmo com avanços, o acesso a saneamento básico ainda é limitado no Brasil — com apenas cerca de 55% da população com coleta de esgoto
Na Amazônia, esse cenário é ainda mais desafiador.
Ou seja:
- o problema não é só falta de recurso
- é falta de planejamento eficiente na aplicação
O erro não termina na urna — ele começa nela
Existe uma cultura perigosa no Brasil:
o eleitor vota… e desaparece.
Não lê plano de governo.
Não acompanha execução.
Não cobra resultado.
E aí acontece o previsível:
- políticas públicas frágeis
- investimentos mal direcionados
- crescimento que não vira desenvolvimento
E depois vem a frustração.
Mas frustração sem análise é só atraso de consciência.]
O eleitor precisa evoluir: menos emoção, mais análise
O eleitor do século XXI precisa mudar de postura.
Tem que perguntar:
- Onde está o plano?
- Ele resolve os problemas estruturais?
- Está preparado para crescimento populacional?
- Conecta investimento com resultado social?
Porque no fim, a conta chega.
E ela chega em forma de:
- hospital lotado
- saneamento precário
- custo de vida alto
- baixa qualidade de serviços públicos
Conclusão: quem não cobra, autoriza
A verdade é simples — e precisa ser dita:
Planejamento é obrigação de quem governa.
Cobrança é dever de quem vota.
Sem planejamento, o governo reage.
Sem cobrança, ele se acomoda.
E quando isso acontece, os indicadores falam:
- PIB cresce, mas desigualdade permanece
- população cresce, mas estrutura não acompanha
- orçamento existe, mas resultado não aparece
No fim, o eleitor que não analisa
não apenas escolhe mal —
ele ajuda a manter o erro.
E economia não aceita erro repetido.
Ela cobra.
Sempre cobra.
Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior
Economista – CORECON/AM-RR 2204
Coordenador do Curso de Ciências Econômicas – Universidade Nilton Lins
Colunista do Portal Convergente
📊 @mouraoeconomista
🎓 @mouraoconsultoriaeconomica | @universidadeniltonlins


