Podcast “As Jornalistas” debate eleições indiretas no Amazonas

Renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza leva disputa à ALEAM, com análise de regras, prazos e cenário político

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A edição desta sexta-feira do podcast As Jornalistas colocou em pauta um dos momentos mais decisivos da política amazonense recente: a realização de eleições indiretas para o governo do Estado após a renúncia do governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza.

Com a saída da chapa eleita, o comando do Executivo estadual passou interinamente ao deputado e então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), Roberto Cidade. A escolha do novo governador ocorrerá por meio de eleição indireta prevista para os próximos dias, quando os 24 deputados estaduais votarão para definir o novo chefe do Executivo.

A análise do cenário político e jurídico contou com a participação da advogada e professora universitária Denise Coelho, especialista em Direito Eleitoral e Tributário.

Prazos eleitorais e regras já em vigor

Durante o programa, Denise Coelho destacou que prazos importantes já foram encerrados, impactando tanto o cenário atual quanto as eleições de 2026. Segundo ela, o dia 4 de abril foi o limite para filiação partidária de interessados em disputar cargos eletivos que ainda não estavam vinculados a partidos.

A especialista também lembrou o fim da chamada janela partidária, período em que parlamentares puderam trocar de sigla sem risco de perda de mandato. O prazo se encerrou entre os dias 3 e 4 de abril.

Governo interino e articulações políticas

A jornalista Erica Lima avaliou a atuação de Roberto Cidade à frente do governo interino, destacando sua habilidade política e capacidade de diálogo construída durante sua presidência na ALE-AM.

Segundo ela, o atual governador interino tem mantido a estrutura administrativa, mas já sinaliza protagonismo com ações próprias e articulações políticas. Nos bastidores, há indicativos de diálogo com lideranças importantes, como o senador Omar Aziz, além de movimentações que envolvem a Prefeitura de Manaus.

Disputa pelo governo ganha forma

O programa também traçou um panorama dos nomes que despontam na corrida pelo governo do Amazonas. Entre os citados estão:

  • Roberto Cidade, que aposta na renovação e ganha visibilidade estadual;
  • Maria do Carmo, que apresenta crescimento nas pesquisas;
  • Omar Aziz, com forte recall de sua gestão anterior;
  • David Almeida, que articula alianças políticas;
  • Renato Júnior, apontado como um dos nomes da nova geração.

De acordo com Erica Lima, o estado vive um momento de transição política, com o surgimento de novas lideranças após ciclos marcados por figuras tradicionais.

Bastidores da renúncia

Sobre a saída de Tadeu de Souza, Erica apontou que a decisão pode estar ligada a rearranjos políticos e alinhamentos estratégicos. Segundo ela, havia uma relação de proximidade entre o ex-vice-governador e David Almeida, o que poderia gerar conflitos dentro do grupo político liderado por Wilson Lima.

A avaliação é de que a renúncia também pode ter sido uma forma de consolidar acordos políticos e reposicionar alianças no cenário estadual.

Como funciona a eleição indireta

Denise Coelho explicou que a eleição indireta foi regulamentada por um Projeto de Lei aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa, sob condução do deputado Adjuto Afonso, que assumiu interinamente a presidência da Casa.

Entre os principais pontos estão:

  • candidatura restrita a brasileiros natos com idade mínima de 30 anos;
  • obrigatoriedade de chapa completa (governador e vice);
  • votação exclusiva pelos 24 deputados estaduais;
  • condução do processo pela Mesa Diretora da ALE-AM;
  • previsão de prazo adicional para desincompatibilização de candidatos.

Regularização do título eleitoral

A especialista também alertou para o prazo de regularização do título eleitoral, que segue até o dia 5 de maio. Eleitores com pendências podem regularizar a situação por meio do aplicativo e-Título, inclusive com pagamento de multa.

Pesquisas e cenário dinâmico

Por fim, Erica Lima destacou que o uso de diferentes institutos de pesquisa é fundamental para acompanhar um cenário político em constante mudança. Segundo ela, metodologias variadas permitem identificar não apenas a intenção de voto, mas também a percepção do eleitor sobre possíveis vencedores.

O debate reforça a complexidade do momento político no Amazonas, marcado por articulações intensas e pela expectativa em torno da eleição indireta que definirá os rumos do governo estadual.

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