Um jornalista foi agredido fisicamente enquanto trabalhava, nesta quinta-feira (9), durante a cobertura de um acidente na avenida Oitis, em Manaus. O repórter João Lucas da Silva Mariano, da Rede Onda Digital, foi empurrado pelo perito criminal Gláucio Gradela Gomes enquanto exercia sua função. A cena foi registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais.
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De acordo com as informações, o perito se aproximou do profissional e o empurrou, alegando que a equipe de imprensa estaria desrespeitando a vítima do acidente ao se aproximar da área de isolamento. Mesmo assim, o jornalista estava no local em atividade legítima de cobertura.
Após o ocorrido, João Lucas registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP). O caso repercutiu e levantou questionamentos sobre a atuação de agentes públicos diante do trabalho da imprensa.
Em nota, a Rede Onda Digital repudiou o episódio e classificou a atitude como uma forma de intimidação. “Repudiamos com total veemência qualquer forma de violência ou intimidação contra jornalistas e reafirmamos nosso compromisso irrestrito com a liberdade de imprensa”, informou o veículo. A empresa também destacou que “esse comportamento é inaceitável e não ficará sem resposta”.
O governador interino do Amazonas, Roberto Cidade, também se manifestou por meio de nota oficial, na qual repudiou a agressão e afirmou que o caso será apurado. “O Governador interino do Amazonas, Roberto Cidade, repudia a agressão sofrida pelo repórter João Lucas da Silva Mariano, da Rede Onda Digital e reforça que o fato se tratou de um ato isolado, não sendo essa a conduta adotada pelos servidores públicos do Estado do Amazonas”, diz o texto. A nota acrescenta que foi determinada a apuração imediata dos fatos e reforça o respeito à imprensa, destacando seu papel na manutenção do Estado Democrático de Direito.
O caso também gerou reação de entidades de classe. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SINJOR/AM) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestaram “profundo e veemente repúdio” à agressão. As entidades classificaram o episódio como um atentado grave à integridade dos profissionais e ao direito constitucional de informar e ser informado.
Em nota conjunta, destacaram que “é inadmissível que um agente público, cuja função deveria ser pautada pela técnica e pelo cumprimento da lei, aja com violência e truculência contra profissionais que são o elo entre o fato e a sociedade”. As entidades também afirmaram que “nada justifica o uso da força física contra jornalistas” e que o exercício da profissão é essencial para a manutenção da democracia.
O SINJOR/AM e a FENAJ informaram ainda que estão acompanhando o caso e cobraram apuração imediata por parte das autoridades competentes, incluindo a Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria de Polícia. As entidades também prestaram solidariedade ao repórter e reforçaram que não aceitarão a naturalização da violência contra profissionais da imprensa.
Até o momento, não há informações sobre eventuais medidas administrativas contra o perito envolvido. O caso deve ser investigado pelas autoridades competentes.


