A direção nacional da Rede Sustentabilidade afirmou, em nota, ter recebido com “indignação e perplexidade” a decisão da ministra Marina Silva de permanecer na sigla para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo.
Segundo o comunicado, a “indignação” decorre da recusa da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima em dialogar com a direção partidária, enquanto a “perplexidade” estaria relacionada ao fato de que sua filiação ou eventual saída nunca teriam sido questionadas oficialmente pela legenda. “As especulações sobre sua saída sempre partiram dela ou de seu grupo, jamais da direção legitimamente eleita”, diz a nota.
A permanência de Marina ocorre após um período de tensões internas. A ministra chegou a avaliar deixar o partido diante de disputas internas e convites de outras siglas, como Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Partido Socialista Brasileiro (PSB). O cenário se intensificou depois que seu grupo foi derrotado nas eleições internas da Rede, que elegeram Paulo Lamac para o diretório nacional, com apoio da ex-senadora Heloísa Helena.
No último dia 4, Marina anunciou publicamente que seguirá na Rede, partido que ajudou a fundar em 2015, após deixar o comando do Ministério do Meio Ambiente. A decisão está ligada ao projeto de disputar uma cadeira no Senado por São Paulo nas próximas eleições.
Na nota, a direção da legenda afirma ainda que decisões políticas adotadas por Marina ao longo dos anos geraram “desconforto” e “forte tensão interna”. Entre os episódios citados estão o apoio ao senador Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014, o posicionamento favorável ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a concordância com a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
De acordo com o partido, essas posições contribuíram para a saída de quadros importantes da sigla. A direção também rebate críticas internas e afirma que “não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo”.
“Democracia exige respeito às decisões coletivas, e não o direito de uma minoria de paralisar o partido, judicializar impasses políticos ou tentar bloquear suas contas”, conclui o comunicado.


