Um vídeo publicado nas redes sociais pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, neste domingo (5), colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um debate que mistura gastronomia, legislação ambiental e costumes regionais.
A gravação mostra um momento descontraído do almoço de Páscoa da família presidencial. O que chamou atenção, no entanto, foi o prato servido: carne de paca, um animal silvestre considerado iguaria em algumas regiões do país. Segundo Janja, a carne foi preparada após dois dias marinando com alho, tempero verde e ervas.
No vídeo, Lula elogia o prato de forma enfática: “Eu acabei de comer a paca. Eu duvido que algum lugar do país alguém já comeu uma paca tão gostosa como essa paca que eu comi hoje. Divina. Parabéns, Janjinha.”
A publicação rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, impulsionada principalmente pelo tipo de proteína utilizada — incomum no cotidiano da maioria dos brasileiros — e pelas dúvidas levantadas sobre sua origem e legalidade.
Legislação e exceções
A paca é um animal silvestre protegido pela legislação brasileira. A chamada Lei de Proteção à Fauna proíbe, desde 1967, a caça, captura, comercialização e consumo de animais silvestres sem autorização dos órgãos competentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.
Apesar da restrição, há exceções previstas em lei. A comercialização é permitida quando a carne tem origem em criadouros devidamente legalizados, que seguem regras rígidas de manejo e controle sanitário.
Diante da repercussão, Janja se manifestou para esclarecer a procedência do alimento. Segundo ela, a carne servida no almoço foi um presente de um produtor regularizado.
“Desde que proveniente de criadouros autorizados pelo IBAMA, a carne de paca pode ser comercializada em nosso país”, afirmou a primeira-dama.
Iguaria ou alimento popular?
Além da questão legal, o episódio também abriu espaço para um debate cultural. Embora seja vista como uma iguaria sofisticada em centros urbanos e restaurantes especializados — com preços elevados —, a carne de paca faz parte da alimentação tradicional em regiões do Norte e Nordeste.
Comentários nas redes sociais evidenciaram essa diferença de percepção. Enquanto alguns internautas destacaram o alto custo do produto — que pode variar entre R$ 120 e R$ 180 o quilo, chegando a até R$ 300 dependendo da região — outros relativizaram o caráter “exótico”.
“Desde quando paca é iguaria de rico? Aqui no Pará todo mundo come”, escreveu um usuário, apontando o consumo mais comum em determinadas localidades.
Entre tradição e polêmica
O episódio evidencia como práticas alimentares regionais podem ganhar novos significados quando expostas em escala nacional, especialmente quando envolvem figuras públicas. Entre elogios, críticas e questionamentos, o vídeo transformou um almoço de Páscoa em um debate mais amplo sobre legislação ambiental, acesso a alimentos e diversidade cultural no Brasil.
*Com informações do ND Mais
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