Inovação na indústria brasileira recua e atinge menor nível desde 2021

Taxa cai pelo terceiro ano seguido, apesar de aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento

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A taxa de inovação da indústria brasileira caiu para 64,4% em 2024, registrando a terceira queda consecutiva e atingindo o menor nível desde 2021. Os dados mostram retração no ritmo de inovação, mesmo com aumento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas no Brasil foi de 64,4% em 2024, registrando a terceira queda consecutiva e atingindo o menor nível desde 2021, quando o índice era de 70,5%. Os dados divulgados ontem (19) pelo IBGE são da Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2024: Indicadores Básicos, levantamento de caráter experimental realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O levantamento indica que empresas de maior porte continuam mais inovadoras. Entre aquelas com mais de 500 funcionários, a taxa chegou a 75,4%.

Por setor, a liderança em inovação ficou com a fabricação de produtos químicos (84,5%), seguida pela fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e pela fabricação de móveis (77,1%). Na outra ponta, a fabricação de produtos do fumo apresentou o menor índice, com 29,8%.

Entre as empresas que inovaram em produto, 45,2% introduziram itens novos ou significativamente aprimorados — o menor percentual desde 2021. Já no campo de processos de negócio, 51,9% das empresas implementaram melhorias, índice levemente superior ao registrado no ano anterior.

O investimento em atividades internas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) também apresentou recuo proporcional. Em 2024, 32,9% das empresas destinaram recursos para essa área, menor patamar desde 2021. Apesar disso, os gastos totais em P&D cresceram, somando cerca de R$ 39,9 bilhões, acima dos R$ 38,2 bilhões registrados em 2023.

As empresas da indústria de transformação concentraram a maior parte desses investimentos, com 85,4% do total (R$ 34,1 bilhões), enquanto as indústrias extrativas responderam por 14,6% (R$ 5,8 bilhões).

Outro dado relevante é o aumento no uso de apoio público. Em 2024, 38,6% das empresas inovadoras utilizaram algum tipo de incentivo governamental, ante 36,3% no ano anterior. O instrumento mais utilizado foi o incentivo fiscal para pesquisa e desenvolvimento, adotado por 28,9% das empresas.

As parcerias também ganharam espaço. Fornecedores foram os principais parceiros de inovação, presentes em 27,1% das empresas que cooperaram. O setor de metalurgia se destacou, com 47,8% das empresas firmando parcerias para inovar.

 

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