Moradores do Condomínio Residencial Parque dos Franceses, no bairro Dom Pedro, em Manaus, denunciaram à reportagem suposta omissão por parte da administração do empreendimento, envolvendo o síndico Pedro Bulbol, o subsíndico Eduardo Levy e o presidente do conselho consultivo, José Alberto. Segundo os relatos, a gestão teria deixado de tomar providências em processos judiciais contra o condomínio, situação que resultou em decisão recente determinando o bloqueio de contas bancárias.
De acordo com moradores, existem processos judiciais contra o condomínio que teriam resultado em condenações, mas que não teriam sido devidamente comunicados aos condôminos. Eles afirmam que essas informações não foram registradas ou divulgadas nas prestações de contas ou em assembleias. A reportagem entrou em contato com a defesa do condomínio, que contestou as acusações e negou prejuízos financeiros. Os moradores, contudo, relatam inércia.
“Eu descobri que existem vários processos arquivados e que os processos contra o condomínio são de condenação. Essa condenação basicamente foi jogada para debaixo do tapete e ninguém nunca comentou sobre isso. Ela nunca foi registrada em local nenhum”, relatou um morador à reportagem, que preferiu não se identificar.

Ainda segundo os moradores, o advogado Sidney Coelho, da Scoelho Advogados Associados, que foi contratado para ser o responsável pela defesa do condomínio, teria sido questionado sobre um dos processos após uma assembleia realizada pelo condomínio. Em conversa com moradores no início deste mês de março, ele teria informado que estava em uma área rural de Manacapuru e que retornaria posteriormente com as informações, o que, segundo os condôminos, não ocorreu até o momento.
O bloqueio
Os moradores também afirmam que o profissional perdeu prazos processuais importantes, o que teria contribuído para o avanço da execução judicial contra o condomínio.
O processo em questão, de número 0644801-92.2022.8.04.0001, teria começado a tramitar em março de 2022, com valor inicial de cerca de R$ 23 mil, cobrado pela empresa Vidal Engenharia Eireli. Em outubro de 2025, o montante atualizado chegou a R$ 47,5 mil, conforme despacho judicial da época.

Na última segunda-feira, 16 de março, o juiz de Direito Victor Andreliuzzi Gomes determinou a indisponibilidade dos ativos financeiros do condomínio por meio do sistema SISBAJUD, ferramenta utilizada pelo Judiciário para bloqueio de valores em contas bancárias. A medida limita-se ao valor indicado na execução.

Inércia
Moradores afirmam que a possibilidade de bloqueio das contas já havia sido alertada anteriormente à administração. “Desde o dia 4 de março eu alertei que as contas seriam bloqueadas, mas eles não fizeram absolutamente nada. Mesmo assim, o síndico e o conselho continuaram sem tomar providências”, disse outro morador à reportagem.
Além da questão judicial, os condôminos também alegam falta de transparência na gestão financeira do condomínio. Segundo eles, pedidos formais de prestação de contas não teriam sido atendidos.
“Eu inclusive pedi a prestação de contas e eles estão omitindo. Não tenho acesso a informações sobre o que é gasto ou recebido, quem paga e como paga. Eles não entregam essas informações”, afirmou um dos denunciantes.

Diante da situação, moradores dizem ter solicitado a convocação de uma assembleia extraordinária para discutir o caso e possíveis medidas administrativas. No entanto, afirmam que o síndico Pedro Bulbol se recusou a receber o grupo ou dar andamento ao pedido.
Os condôminos alertam que o bloqueio das contas pode comprometer o funcionamento do condomínio caso não haja uma solução rápida para o problema.
Outro lado
Procurado pela reportagem, o síndico Pedro Bulbol negou as acusações e afirmou que as denúncias são infundadas. Em resposta por áudio, ele disse que as reclamações partem de uma pessoa que, segundo ele, não seria proprietária de unidade no condomínio.
“Se você quiser passar amanhã na administração do condomínio para conversar, pode passar que a gente vai explicar a situação todinha, tudo que está acontecendo. Mas, só para entender, essas denúncias são todas infundadas por um condômino que não é nem proprietário. A conta não foi bloqueada e, sobre os processos, eu posso explicar pessoalmente”, afirmou.
O subsíndico Eduardo Levy e o presidente do conselho consultivo do condomínio, José Alberto, também se manifestaram e disseram que a administração prepara uma resposta oficial para os moradores do condomínio.
“Estamos preparando uma resposta ao inquilino que está provocando uma série de incidentes, com ilações mentirosas, inclusive mencionando processo em que sequer o condomínio é parte”, declararam, em mensagem via whatsapp.
Advogado diz que não houve bloqueio de contas
O advogado Sidney Coelho, responsável pela defesa do condomínio, também contestou as acusações feitas pelos moradores. Segundo ele, não houve prejuízo financeiro nem bloqueio de contas do condomínio.
“O processo ainda está em tramitação e não houve penhora de valores nem bloqueio de contas. Não houve prejuízo nenhum e não vai haver prejuízo nenhum ao condomínio”, afirmou Sidney Coelho, em conversa por telefone com a reportagem.
De acordo com o advogado, a disputa judicial envolve também questões relacionadas à construtora responsável pelo empreendimento. Ele afirma que há problemas decorrentes da época da construção de obras no condomínio, realizadas durante o período da pandemia, e que os serviços sequer teriam sido formalmente entregues.
Segundo Coelho, existem atualmente três processos em andamento envolvendo o caso, e a própria defesa do condomínio também estaria executando a construtora judicialmente.
O advogado explicou ainda que a discussão envolve valores que estariam sendo cobrados entre as partes, o que pode resultar em um encontro de contas judicial. “É aquela situação: se alguém me deve R$ 10 mil e eu devo R$ 15 mil, ao final se faz a compensação e resta apenas a diferença”, explicou.
Coelho afirmou ainda que pretende recorrer da decisão judicial mencionada pelos moradores e criticou as acusações feitas contra ele. “Essas acusações são de uma leviandade muito grande. Vou inclusive representar contra essa pessoa na OAB, porque ela está se valendo de ser advogado para fazer essas acusações”, declarou.
Confira a decisão na íntegra:


