As manifestações convocadas por grupos de direita neste domingo (1º) provocaram reações opostas entre oposição e base governista. Enquanto lideranças alinhadas ao bolsonarismo celebraram os atos e destacaram as pautas defendidas, parlamentares ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizaram a mobilização e classificaram a adesão como baixa.
Na Avenida Paulista, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, avaliou que o ato reuniu um “bom número” de participantes. O discurso do parlamentar foi o mais aguardado do evento e incluiu acenos a aliados e a segmentos considerados estratégicos para 2026.
“Achei que foi um bom número, como sempre os brasileiros dando a cara a tapa, vindo para a rua, mostrando que não têm medo de perseguição e que é o momento de virada de chave no nosso Brasil”, afirmou Flávio a jornalistas.
Segundo estimativa do Monitor do Debate Político, núcleo de pesquisa apoiado por estudiosos da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a organização More in Common, cerca de 20,4 mil pessoas participaram do ato na capital paulista no pico, às 15h53. Considerando a margem de erro, o público variou entre 18 mil e 22,9 mil pessoas.
No Rio de Janeiro, na Praia de Copacabana, a estimativa foi de 4,7 mil participantes no pico, às 11h20, com variação entre 4,1 mil e 5,3 mil pessoas. Não houve levantamento em outras capitais, embora as mobilizações tenham sido registradas em mais de 20 cidades ao longo do dia.
Líder da oposição na Câmara, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que a Avenida Paulista estava “lotada” e defendeu a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros parlamentares do Partido Liberal reforçaram o discurso de que o país “acordou”, em referência ao movimento chamado “Acorda Brasil”.
Em nota, o vice-líder da oposição, Luciano Zucco (PL-RS), afirmou que a mobilização “é apenas o início de uma mobilização crescente, pacífica e legítima”.
Os atos tiveram como foco críticas ao governo federal e à atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da defesa da anistia a Jair Bolsonaro e da derrubada do veto ao projeto da dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Base governista critica adesão
Parlamentares do PT classificaram as mobilizações como esvaziadas. O líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que os atos foram um “fiasco”.
“Prometeram um tsunami, veio uma marolinha”, declarou em vídeo publicado nas redes sociais.
Na mesma linha, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que as manifestações foram marcadas por “uma flopada histórica e vergonhosa” e que a população estaria cansada de “discursos vazios”.
Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) avaliou que os atos evidenciaram um “movimento em queda livre” e criticou o desempenho de Flávio Bolsonaro em seu primeiro grande ato após o lançamento da pré-candidatura.
O embate de narrativas ocorre a pouco mais de nove meses das eleições de 2026, em um cenário de pré-campanha marcado pela polarização e pela disputa antecipada pelo eleitorado nas ruas e nas redes sociais.


