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sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Suposto líder de facção teria usado igrejas evangélicas como fachada para atividades criminosas, diz PC-AM

Segundo a polícia, o homem se apresentava como frequentador assíduo de um templo religioso

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Apontado como líder da organização criminosa alvo da Operação Erga Omnes, um homem identificado como Allan Kléber teria utilizado igrejas evangélicas como estratégia de camuflagem para as atividades do grupo. Segundo a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), ele se apresentava como frequentador assíduo de um templo na zona Leste de Manaus e usava o ambiente religioso para evitar suspeitas.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, em uma ocorrência anterior, o investigado chegou a esconder drogas dentro de uma igreja. Outro alvo da operação também estaria morando em um templo, reforçando, segundo a investigação, a estratégia de usar espaços religiosos como fachada para dificultar a ação policial.

“João Kleber se disfarçava como uma espécie de evangélico, frequentava uma igreja evangélica na região do Zumbi dos Palmares e usava roupas da igreja. Em uma ocorrência anterior, ele escondeu drogas dentro dessa igreja evangélica. E nós temos um outro alvo que também morava dentro de uma igreja evangélica. Então, o que percebemos é que esse grupo criminoso utilizava a igreja como uma espécie de disfarce, uma camuflagem social, para que não fosse facilmente identificado pela polícia”, disse o delegado.

O delegado também detalhou a atuação do chamado núcleo político da organização.

“Esse núcleo político é composto por ex-assessores que atuavam na área da advocacia e por servidores públicos que trabalhavam em esferas importantes dos órgãos em que eram lotados. A investigação indica que essa organização criminosa usava esses agentes públicos para ter trânsito em órgãos e poder resolver os problemas do grupo. Isso ficou muito claro quando fizemos a extração de um aparelho celular apreendido, no qual o chefe da organização criminosa, Allan Kléber, falava abertamente que tinha pessoas em todos os órgãos e esferas e que não tinha medo de ser preso porque pagava todo mundo”, afirmou.

As apurações indicam que o grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões em quatro anos, por meio de empresas de fachada e da infiltração de agentes públicos, estruturando um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em vários estados.

O caso

Na manhã desta sexta-feira, 20, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou a Operação Erga Omnes para desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. A investigação mira investigados apontados como integrantes do núcleo político da facção Comando Vermelho.

Até a última atualização desta reportagem, 14 pessoas haviam sido presas em diferentes estados, sendo oito no Amazonas. Ao todo, a Justiça expediu mais de 20 mandados judiciais, entre eles 24 de busca e apreensão, além de bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário.

A operação é coordenada pela PC-AM, por meio do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e conta com apoio das forças de segurança do Ceará, Piauí, Pará, Maranhão, São Paulo e Minas Gerais. As ordens judiciais são cumpridas em Manaus, Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA).

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