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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Pacientes com câncer são atendidos em corredores superlotados no Hospital Ophir Loyola, no Pará

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Pacientes oncológicos atendidos no Hospital Ophir Loyola, principal referência em tratamento contra o câncer no Pará, enfrentam superlotação, falta de leitos e escassez de medicamentos. Registros feitos na segunda-feira (9) mostram pacientes sendo atendidos em corredores e áreas improvisadas dentro da unidade, localizada em Belém.

Imagens obtidas pela reportagem mostram pessoas em macas posicionadas fora das enfermarias e pacientes recebendo medicação sentados em cadeiras. O cenário contrasta com dados oficiais divulgados pelo governo do Estado, sob gestão do governador Helder Barbalho (MDB).

De acordo com informações da Secretaria de Estado de Saúde, em abril de 2025 o hospital contava com 203 leitos operacionais, sendo 49 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de 28 consultórios médicos, sete salas cirúrgicas e uma sala de recuperação pós-anestésica com sete leitos. No entanto, os registros recentes mostram macas distribuídas em áreas de circulação e suportes de soro instalados ao longo das paredes.

Registro mostra paciente em uma maca posicionada no corredor do Hospital Ophir Loyola (Imagem obtida pela CENARIUM)

Corredores viram áreas de atendimento

As fotografias revelam corredores transformados em extensões das enfermarias, onde pacientes aguardam atendimento ou realizam tratamento contínuo sem privacidade. Familiares também permanecem nesses espaços, evidenciando a pressão sobre a estrutura hospitalar.

Uma acompanhante, filha de uma paciente atendida na Unidade de Atendimento Imediato (UAI), localizada em prédio anexo na travessa Quatorze de Abril, relatou dificuldades durante o atendimento. Segundo ela, a unidade não oferece locais adequados para que pacientes permaneçam durante a administração de medicamentos, obrigando-os a receber medicação em cadeiras ou nos corredores. A identidade da denunciante foi preservada.

Pacientes aguardam em cadeiras de hospital em Belém (Imagem obtida pela CENARIUM)

“Ao entrar no Hospital Ophir Loyola, nos deparamos com um cenário de total precariedade. Não há sequer poltronas para que os pacientes possam se acomodar enquanto recebem medicação. A sensação é de revolta ao ver pessoas já fragilizadas pela doença sendo submetidas a uma situação desumana, sem dignidade durante o tratamento” , afirmou.

Ela também relatou que, em diversas idas ao setor de emergência, médicos informaram não haver leitos disponíveis para internação. A paciente permaneceu em observação fora das enfermarias e não conseguiu realizar exame solicitado para investigação de uma possível infecção.

Unidade de saúde vinculada ao Governo Helder Barbalho também registra falta de medicamentos (Imagem obtida pela CENARIUM)

Segundo a acompanhante, profissionais da unidade informaram que o aparelho de tomografia do hospital estaria inoperante desde novembro de 2025, o que tem levado ao encaminhamento de casos mais graves para outras unidades de saúde. “Há pacientes morrendo” , afirmou.

Falta de medicamentos compromete tratamentos

Apuração aponta que a ausência de medicamentos oncológicos também tem prejudicado o início e a continuidade de tratamentos. Até a segunda-feira (9), o medicamento Paclitaxel (Taxol), utilizado em diferentes protocolos de quimioterapia, estaria indisponível na unidade e sem previsão de reposição.

Pacientes que buscaram iniciar tratamento teriam sido informados sobre a falta do medicamento. Há relatos de pessoas orientadas a retornar para casa antes mesmo de receber atendimento, devido à indisponibilidade de fármacos.

O Ministério Público do Pará (MP-PA) acompanha o caso desde outubro de 2025. Na ocasião, o órgão informou que o hospital enfrentava dificuldades em processos licitatórios para aquisição de alguns medicamentos.

No caso da Lanreotida, houve adesão a uma ata de registro de preços do Estado do Amazonas, ainda sem conclusão. Já em relação à Octreotida, um lote foi recebido, mas considerado insuficiente para atender à demanda. Quanto à Vimblastina, dois processos de compra foram iniciados, um emergencial para aquisição de 156 unidades e outro para 500 unidades, ambos ainda sem finalização.

Em dezembro de 2025, o MP-PA ingressou com nova ação judicial solicitando o fornecimento dos medicamentos Paclitaxel (Taxol) e Mesna, após denúncias sobre suspensão e adiamento de tratamentos oncológicos.

Inspeção técnica realizada pelo órgão constatou abastecimento reduzido desses medicamentos, resultando em atrasos no tratamento e aumento da demanda reprimida, embora sem registro de desabastecimento total.

Na ação judicial, o Ministério Público solicitou a regularização do estoque, a apresentação da lista de pacientes afetados, divulgação de cronograma de atendimento e aplicação de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento, com valor da causa fixado em R$ 500 mil.

O órgão alertou que a interrupção do tratamento contra o câncer pode provocar agravamento do quadro clínico, com risco de progressão da doença, surgimento de metástases, resistência a medicamentos e aumento do risco de morte.

A reportagem entrou em contato com a direção do Hospital Ophir Loyola e com o Governo do Estado do Pará para solicitar posicionamento sobre as denúncias relatadas nesta matéria, mas não obteve retorno até o fechamento desta publicação. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos por parte das instituições citadas.

*Com informações da Revista Cenarium

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