Antes mesmo do pico dos rios, o Governo do Amazonas já trabalha com um cenário de impacto direto em 35 municípios, que podem atingir 173 mil famílias e mais de 690 mil pessoas espalhadas principalmente pelas regiões mais isoladas do estado.
Os dados foram debatidos nesta segunda-feira (09), durante a primeira reunião de 2026 do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, comandada pelo governador Wilson Lima (UB).
“Alguns municípios já começam a decretar situação de emergência e a gente reúne o nosso comitê para se antecipar e tomar providências em áreas estratégicas, como ajuda humanitária com distribuição de cestas básicas, kits de higiene e limpeza, além do reforço na saúde, com envio de insumos para prevenir e combater doenças comuns nesse período”, afirmou o Chefe do Estado.
O monitoramento hidrológico aponta que todas as nove calhas de rios do Amazonas já estão em processo de enchente, com previsão de chuvas acima da média, especialmente no oeste e centro-sul do estado. A preocupação maior recai sobre as calhas do Juruá e do Purus, onde o pico da cheia pode ocorrer mais cedo do que o esperado.
Atualmente, Eirunepé já está em situação de emergência. Outros 11 municípios estão em alerta, entre eles Boca do Acre, Lábrea, Envira e Guajará, enquanto 13 municípios permanecem em atenção: Amaturá, Apuí, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Fonte Boa, Humaitá, Jutaí, Maraã, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tefé e Tonantins.
Reforço
A estratégia do Estado é antecipar a assistência às populações ribeirinhas e rurais, com envio de cestas básicas, kits de higiene, água potável, caixas d’água, purificadores do programa Água Boa e medicamentos, além da compra de alimentos da agricultura familiar para reforçar a segurança alimentar nas áreas afetadas.
Na saúde, o plano prevê reforço no envio de vacinas, soros e kits específicos para o período de cheia, além do monitoramento diário de doenças como leptospirose, diarreias, malária e dengue. O Barco Hospital São João XXIII deve ser deslocado para municípios considerados prioritários.
A educação também entra no radar: caso escolas sejam atingidas, o Estado já avalia alternativas como o Aula em Casa e a distribuição de kits alimentares pelo Merenda em Casa, garantindo que os alunos não fiquem sem acesso ao ensino e à alimentação.
Enquanto isso, o Corpo de Bombeiros intensifica a Operação Inverno Amazônico, com atenção especial a áreas de risco para deslizamentos e erosões, comuns nesse período.


