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quinta-feira, janeiro 15, 2026

MPF afirma que governo Bolsonaro sabia do risco de falta de oxigênio em Manaus antes do colapso em 2021

Colapso que atingiu Manaus completou cinco anos neste 14 de janeiro

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O Ministério Público Federal (MPF) afirmou nesta quarta-feira, 14, que a gestão do então presidente Jair Bolsonaro (PL) teve conhecimento prévio sobre o risco de falta de oxigênio no Amazonas 17 dias antes do colapso que atingiu Manaus em 14 de janeiro de 2021, quando hospitais ficaram sem o insumo essencial para tratar pacientes com Covid-19, levando à morte de dezenas de pessoas por asfixia.

Em coletiva de imprensa realizada em Manaus, o procurador Igor Jordão Alves, do MPF no Amazonas, afirmou que relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) indicam que o governo federal foi informado já em 28 de dezembro de 2020 sobre estoques críticos de oxigênio capazes de comprometer o atendimento hospitalar. Na época, a Abin era comandada por Alexandre Ramagem, hoje ex-deputado e condenado por envolvimento em tentativas de golpe de Estado em 2023.

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“A partir de relatórios da Agência Brasileira de Inteligência, foi documentado em reuniões da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República que, desde 28 de dezembro de 2020, já faltava oxigênio em Manaus, e esse déficit diário e crônico durou pelo menos até o final de janeiro de 2021. Isso reafirma as teses do MPF de que havia a possibilidade de evitar o colapso”, disse o procurador.

O procurador ressaltou que os documentos apontam um “gargalo exponencial” no abastecimento de oxigênio, com a cada dia faltando mais insumo e aumentando o risco de vidas perdidas por insuficiência no atendimento. O déficit só teria sido corrigido em 30 de janeiro de 2021, mais de duas semanas após o colapso da saúde pública na capital amazonense.

Falha na resposta federal e repercussão

As investigações do MPF apontam que pelo menos 60 pessoas morreram diretamente devido à falta de oxigênio em Manaus após o início do colapso em 14 de janeiro de 2021, quando a demanda por cilindros superou em muito a capacidade de produção e entrega local.

Na época, denúncias e reportagens também apontaram que alertas sobre a possível falta do insumo haviam sido feitos dias antes ao Ministério da Saúde, sob comando do então ministro Eduardo Pazuello, mas que medidas preventivas não foram adotadas a tempo para evitar a crise sanitária.

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Durante aquele período, a situação chegou a ser agravada a ponto de artistas, influenciadores e até o governo da Venezuela enviarem oxigênio para a capital amazonense, diante da escassez nos hospitais. O governo federal só enviou oxigênio de forma mais consistente após o colapso e optou inicialmente por transporte pela BR-319, o que atrasou ainda mais a entrega em Manaus.

Impactos da crise

Relatórios analisados pelo MPF, incluindo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), indicam que o Estado registrou mais de 13.800 mortes por Covid-19 até o final de 2021, sendo que entre 14 e 15 de janeiro de 2021, 33 a 34 mortes ocorreram por falta de oxigênio, segundo o procurador Igor Jordão.

O MPF argumenta que os alertas da Abin e outros registros indicam que o déficit de oxigênio era conhecido e se estendia antes mesmo do dia em que o sistema entrou em colapso, o que, na avaliação dos investigadores, evidencia que a crise poderia ter sido evitada com ações antecipadas das autoridades competentes.

 

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