Por Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior – Colunista do Portal Convergente
O Polo Industrial de Manaus acaba de atravessar uma linha simbólica — e histórica. Em 2025, o faturamento do PIM superou a casa dos R$ 200 bilhões e, mais do que isso, até novembro já havia ultrapassado todo o resultado de 2024. Não é detalhe estatístico. É sinal claro de que a indústria amazônica está jogando em outra prateleira.
Quem olha só o número final perde metade da história. Porque faturamento não cresce no vácuo. Ele responde a três forças invisíveis que puxam as cordas do jogo econômico: câmbio, juros e confiança.
O dólar: vilão para uns, motor para outros
Em 2025, o real seguiu pressionado frente ao dólar. Para quem importa insumos, isso virou dor de cabeça. Mas para quem produz no Brasil e abastece o mercado interno — como é o coração do PIM — a equação muda completamente.
Com o dólar mais caro, o produto nacional ganha competitividade, o importado perde espaço e a indústria local deixa de ser alternativa e vira prioridade. Resultado: mais pedidos, mais produção, mais faturamento.
A Selic: juro alto, crescimento resiliente
2025 foi marcado por uma Selic ainda elevada, reflexo do esforço do Banco Central para segurar a inflação e manter as expectativas ancoradas. Na teoria econômica, juros altos encarecem crédito, travam investimento e esfriam consumo. Na prática industrial de Manaus, o que se viu foi resiliência.
Empresas mais capitalizadas, com planejamento financeiro e ganhos de produtividade, conseguiram atravessar o aperto monetário sem parar a engrenagem.
Os números que contam a história
2021: R$ 146,66 bilhões
2022: R$ 164,79 bilhões
2023: R$ 163,06 bilhões
2024: R$ 189,71 bilhões
2025: R$ 209,48 bilhões
A média mensal de mão de obra em 2025 chegou a 131.444 trabalhadores diretos.

Perspectivas macroeconômicas para 2026
As projeções de mercado indicam queda gradual da taxa Selic, que deve encerrar 2026 em torno de 12,25%.
A inflação tende a seguir mais comportada, com IPCA projetado em torno de 4,1% em 2026, abaixo do teto da meta.
Esse movimento cria um ambiente mais favorável ao investimento produtivo e à expansão industrial.

Reforma Tributária no horizonte: alerta ligado
A Reforma Tributária redesenha incentivos e muda regras do jogo. O faturamento recorde de 2025 é argumento político, munição técnica e recado direto a Brasília.
Conclusão
O PIM chegar a R$ 200 bilhões em faturamento não é apenas um dado técnico.
É um ato político em forma de número.
Em um país que ainda insiste em tratar a Amazônia como problema, Manaus responde com resultado. Em um cenário de juros altos e de reforma tributária em ebulição, o Polo Industrial entrega o que poucos conseguem: escala produtiva, geração de emprego e impacto econômico real.
Quem chama a Zona Franca de privilégio fiscal precisa explicar por que esse “privilégio” sustenta mais de 130 mil empregos diretos e movimenta mais de R$ 200 bilhões na economia brasileira.
Privilégio não produz.
Sistema produtivo produz.
Agora, o desafio sobe de nível.
Com o avanço do acordo Mercosul–União Europeia, os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus passam a disputar espaço, preço e mercado com bens industriais europeus — muitos deles subsidiados, altamente tecnológicos e com cadeias logísticas consolidadas.
Isso muda o jogo.
E muda rápido.
Nesse novo tabuleiro, enfraquecer a ZFM não é ajuste técnico.
É erro estratégico.
A Reforma Tributária pode mudar regras, mas não pode apagar fatos.
Quando o Brasil precisou de indústria funcionando em terreno difícil, Manaus não recuou.
Agora, diante da abertura comercial com a União Europeia, o recado é ainda mais claro: ou o país fortalece sua base industrial amazônica, ou entrega mercado de bandeja.
O PIM não pede favor.
Exige respeito institucional.
Porque política se faz com discurso.
Mas desenvolvimento se faz com fábrica ligada.
E em 2025 — às vésperas de um novo ciclo de competição global as fábricas de Manaus falaram mais alto que qualquer retórica.
Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior
Economista – CORECON/AM-RR 2204
Doutorando em Administração (PUCPR)
Coordenador do Curso de Ciências Econômicas – Universidade Nilton Lins
Colunista do Portal Convergente e comentarista econômico da CBN Manaus
Consultor econômico da Assis Mourão Consultoria Econômica
📊 @mouraoeconomista
🎓 @mouraoconsultoriaeconomica | @universidadeniltonlins
Bio
Francisco de Assis Mourão Junior é economista, doutorando em Administração pela PUCPR e coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Nilton Lins. Atua como colunista do Portal Convergente e comentarista econômico da CBN Manaus, com foco em desenvolvimento regional, política industrial e economia da Amazônia. É consultor econômico da Assis Mourão Consultoria Econômica, atuando em projetos de análise econômica, incentivos fiscais e estratégias de competitividade para empresas da Zona Franca de Manaus.


