A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela representa uma afronta ao direito internacional e contribui para um cenário global mais instável e inseguro, avaliou nesta terça-feira (6) o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).
A manifestação ocorre após forças norte-americanas terem derrubado o presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação surpresa realizada no último fim de semana. Maduro é alvo de quatro acusações criminais nos Estados Unidos, entre elas a de narcoterrorismo. Com a deposição, a vice-presidente assumiu o comando do país de forma interina.
Segundo o ACNUDH, a ação norte-americana viola um dos pilares do sistema internacional, que proíbe o uso ou a ameaça de força contra a soberania e a independência política de outros Estados. “Trata-se de um princípio fundamental do direito internacional que foi claramente desrespeitado”, afirmou o órgão em comunicado.
A porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, destacou que é necessário um posicionamento firme e conjunto da comunidade internacional para reafirmar esse entendimento. Para ela, longe de representar um avanço na proteção dos direitos humanos, a operação militar enfraquece a arquitetura de segurança global e amplia os riscos para todos os países.
“Esse tipo de ação transmite a mensagem de que nações poderosas podem agir sem limites”, alertou.
O ACNUDH reforçou ainda que o futuro político da Venezuela deve ser definido exclusivamente pelo seu povo. De acordo com o órgão, o aumento da instabilidade e da militarização tende a agravar ainda mais o quadro de violações de direitos humanos no país.
*Com informações da CNN
Leia mais: Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz na América do Sul, diz embaixador do Brasil


