Parlamentares e lideranças políticas de esquerda no Amazonas reagiram nas redes sociais contra a ação dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a captura da primeira-dama, Cilia Flores. As manifestações criticam o que classificam como violação da soberania venezuelana e associam o episódio a interesses econômicos ligados ao petróleo.
O vereador de Manaus Zé Ricardo (PT) afirmou, em publicação na rede X (antigo Twitter), que a motivação da ação norte-americana estaria ligada aos interesses de empresas petrolíferas dos Estados Unidos.
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“Por causa de petróleo e dos interesses de indústrias petrolíferas dos EUA, Trump e suas forças armadas invadem a Venezuela, bombardeiam cidades e sequestram o presidente Maduro e sua esposa. Nada tem a ver com democracia ou o povo. É uma agressão à soberania do país e seu povo”, escreveu.
Em outra publicação, Zé Ricardo voltou a criticar o ex-presidente norte-americano Donald Trump e afirmou que o episódio não estaria relacionado à defesa da democracia.
“Trump falou claramente: sequestraram o Maduro e vão julgar nos EUA acusado de narcotráfico; EUA vai administrar a Venezuela; empresa norte-americana vai cuidar do petróleo; Corina não serve; e ameaçou outros países. Nada é por liberdade, democracia ou direitos do povo”, declarou.
O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) também se manifestou nas redes sociais e destacou que, para ele, o debate central não é a avaliação do governo Maduro, mas a soberania nacional.
“O assunto não é a qualidade do governo Maduro. O assunto é soberania e autodeterminação dos povos. Os que aplaudem o que aconteceu na Venezuela são os que tentaram fazer isso com o Brasil. São aqueles que, num caso de invasão estrangeira no Brasil, estariam ao lado dos invasores porque são vendedores da pátria e xerimbabos dos EUA”, afirmou.

A ativista política e indígena Vanda Witoto, filiada à Rede Sustentabilidade, publicou mensagem de solidariedade ao povo venezuelano.
“Aos parentes venezuelanos, nossa solidariedade. Somos latinos e seremos resistência ao governo imperialista de Trump”, disse.

Já o ex-deputado federal Eron Bezerra (PCdoB) fez um alerta mais amplo sobre o cenário internacional, relacionando o episódio à disputa por recursos naturais.
“O mundo está em perigo. A invasão dos Estados Unidos da América à Venezuela é um exemplo acabado da barbárie unilateral contra a soberania de qualquer país do planeta, especialmente os detentores de recursos minerais estratégicos. No caso da Venezuela, a maior reserva de petróleo do planeta. Hoje foi a Venezuela, amanhã poderá ser qualquer um de nós. Resistiremos”, escreveu.

Entenda o caso
Nicolás Maduro foi capturado no último sábado em Caracas e levado aos Estados Unidos, onde está sob custódia no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), em Nova York. Nesta segunda-feira, 5, ele foi apresentado a um tribunal federal norte-americano, no âmbito de um processo criminal que tramita há cerca de 15 anos e envolve acusações relacionadas a narcotráfico e outros crimes.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia apresentado, em 2020, acusações formais contra Maduro, incluindo conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e uso de armamento pesado. Até então, essas denúncias tramitavam sem a prisão do presidente venezuelano.




