A tensão envolvendo o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso Nacional ameaça travar pautas consideradas essenciais pelo governo para serem concluídas ainda este ano.
Apesar das especulações, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, insiste que não há ruptura com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A orientação interna é reforçar que a interlocução institucional permanece aberta, mesmo diante dos recentes atritos políticos.
Nos últimos dias, Gleisi se reuniu com Motta para apresentar a lista de matérias que o Planalto deseja ver avançar. Entre elas estão a PEC da Segurança Pública, o projeto que corta benefícios tributários e a proposta que endurece punições a devedores contumazes.
A ofensiva do governo para destravar esse último projeto ganhou novo peso após a megaoperação contra sonegadores deflagrada nesta quinta-feira (27). Depois de quase três meses, Motta escolheu um parlamentar mais moderado do PL para assumir a relatoria.
O impasse com o Congresso também aumenta o risco de novas pautas-bomba, com impacto fiscal negativo, e coloca em dúvida a aprovação de agendas estratégicas, como o Orçamento de 2026 e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo aliados do Planalto, o presidente Lula ainda pretende conversar diretamente com Alcolumbre para tentar reduzir a temperatura da crise envolvendo a indicação de Messias.
Nesta quinta-feira, entretanto, o clima esquentou ainda mais: o Congresso derrubou a maior parte dos vetos presidenciais à lei de licenciamento ambiental. Alcolumbre divulgou nota reagindo às críticas e negou que a votação tenha sido um ato de retaliação.
Após o revés, Gleisi se manifestou nas redes sociais, dizendo que a decisão do Congresso contraria o esforço do governo diante da COP 30. “Uma péssima notícia”, escreveu.
*Com informações da CNN
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