Órgãos emitem nota de repúdio após professor chamar profissionais de TI de “meninos espinhentos” no AM

As falas do Professor Doutor Rodrigo Ribeiro Bastos, durante ‘Encontro de Direito e Tecnologia’ no TJAM, proferidas, na última sexta-feira, repercutiram negativamente

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As falas do Professor Doutor Rodrigo Ribeiro Bastos, durante ‘Encontro de Direito e Tecnologia’, que aconteceu no auditório do Centro Administrativo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), no último dia 25, foram repudiadas por diversos órgãos. Na ocasião, o professor se referiu de modo pejorativo aos profissionais de tecnologia no Poder Judiciário.

Na ocasião, o professor questionou se os operadores de direito vão deixar “meninos espinhentos da informática” assumirem o lugar deles. Ele ainda continuou a fala afirmando que, no Poder Judiciário, quem tem o poder é o chefe da informática.

“Seremos nós, os operadores do direito, que vamos deixar a cargo dos meninos espinhentos da informática, que ficam no porão de algum lugar aí? […] No Poder Judiciário, quem tem poder é o chefe da informática […] Se ele apagar o banco de dados, acabou […] Mas a gente vai deixar essa turma espinhenta da informática fazer esses algoritmos ou somos nós, operadores de direito, que vamos tomar a frente disso?”, disparou.

A repercussão da fala do professor foi negativa e diversos órgãos emitiram nota de repúdio, entre eles o Tribunal de Justiça do Amazonas, Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Amazonas, o Sindicato Nacional dos Servidores do MPU, CNMP e ESMPU, o Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário da União da Paraíba e o Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário de Rondônia.

Em nota assinada pela Presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas em conjunto com a Comissão de Gestão de Tecnologia da Informação e Comunicação, o órgão afirmou que não compactua com as falas ditas pelo professor durante o evento.

Além disso, destacou a importância dos profissionais que atuam no segmento e se solidarizou com os mesmos e também com as entidades de classe que se sentiram ofendidas.

O Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Amazonas também repudiou os comentários do professor. Alegou-se que as palavras dele ofendem todos os profissionais da área, “porque além de denotarem uma delirante suposta hierarquia entre as diversas áreas do conhecimento, foram proferidas em solo amazonense”.

Já o Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário de Rondônia ressaltou o repúdio contra o comentário pejorativo do professor e lamentou as palavras ditas por ele de forma “grosseira, absurda e desrespeitosa”.

“Ao contrário, do que disse o professor, o SINJUR-RO reconhece como de fundamental importância o trabalho desenvolvido pelos operadores de TI frente aos desafios de tornar o judiciário cada vez mais efetivo e célere”, diz um trecho da nota.

O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário da União da Paraíba também se manifestou sobre o assunto, onde pontuou que “é fundamental que todos os profissionais, independentemente de sua área de atuação, trabalhem juntos para aproveitarem ao máximo as oportunidades que a revolução digital e a Inteligência Artificial oferecem aos Tribunais brasileiros”.

“Em vez de resistir à inovação, devemos abraçá-la, confiando nas habilidades e conhecimentos dos profissionais capacitados para liderar essa transformação. Neste contexto, é imperativo reconhecer e valorizar os profissionais de TI”, escreveu o Sindicato.

Outro grupo que se pronunciou sobre o caso foi o Sindicato Nacional dos Servidores do MPU, CNMP e ESMPU, que destacou as falas do professor como “ofensivas e equivocadas”.

“A tentativa de diminuir o valor de outros profissionais não reforça a importância dos operadores de direito, mas reflete um desconhecimento e recebimento infundado diante das inovações tecnológicas atuais, como a Inteligência Artificial e as melhores práticas de TI inovações nos órgãos judiciários e no Ministério Público”, afirmou em nota.

Nas redes sociais, o Professor Doutor Rodrigo Ribeiro Bastos não se pronunciou sobre o assunto. O Portal O Convergente não conseguiu contato com o professor. O espaço segue aberto para justificativas.

Leia mais: Remoção de juízes do interior é aprovada por TJAM

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Por Camila Duarte

Revisão textual: Vanessa Santos

Ilustração: Marcus Reis

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