Começa no domingo, 16/10, o 20º Congresso do Partido Comunista Chinês que deverá conduzir o atual presidente do país, Xi Jinping, a um terceiro mandato. A reunião de dois mil representantes do povo é uma das maiores assembleias políticas do mundo. O evento acontece a cada cinco anos, e dita os rumos do país que pretende ultrapassar os Estados Unidos na corrida pela hegemonia econômica do planeta.
O congresso deve começar com Xi lendo um longo relatório em um discurso televisionado que delineará as prioridades gerais para os próximos cinco anos.
Se tudo acontecer de acordo com o planejado, ao final do encontro quinquenal, o governante de 69 anos será novamente confirmado como secretário-geral do partido.
O secretário-geral é então confirmado para outro mandato presidencial na reunião anual da Assembleia Popular Nacional da China, em março.
Se Xi Jinping permanecer com o mandato, como é previsto, ele vai se tornar o líder mais longevo e poderoso da China desde Mao Tsé-Tung. Depois da morte de Mao Tsé-Tung, em 1976, os presidentes chineses passaram a ter um limite de dois mandatos máximo. No entanto, em 2018 essa regra foi alterada para permitir um terceiro mandato de Xi.
Partido – O Partido Comunista da China é uma das maiores organizações políticas do mundo — são 96,7 milhões de membros—, mas seus mecanismos internos são opacos.
A forma como são escolhidos os membros do Comitê Permanente, o topo do poder político do país, não é pública.
Desde a década de 1990, os membros do Escritório Político se afastam após dois mandatos, mas a reeleição de Xi quebraria esta tradição.
A eleição das pessoas que ficarão ao lado de Xi será crucial, disse Steve Tsang, diretor do SOAS China Institute. “Acredito que Xi terá cuidado de enviar uma mensagem clara de que ninguém promovido ao Comitê Permanente será um sucessor no 21º congresso”, disse ele.
A configuração do comitê será revelada apenas um dia depois do fim do congresso.
Rota da Seda – Mais tempo no poder permite que Xi avance com seu projeto mais ambicioso: a “Nova Rota da Seda”.
Formalmente apresentado em 2013 como “One Belt One Road” – algo como “Um Cinturão e uma Estrada”, em tradução livre – o programa integra 145 países em todos os cinco continentes. O plano remonta à antiga “Rota da Seda”, que não apenas conectou civilizações por meio de rotas comerciais entre a China e a Itália, como ajudou no florescimento de grandes cidades, tanto no Oriente quanto no Ocidente, por causa do fluxo de mercadorias.
“Trata-se do mais ambicioso projeto de política externa do século XXI. Por trás disso há um projeto comercial, mas também há uma ideia de intercâmbio cultural. Claramente isso tem a ver a disputa hegemônica entre China e Estados Unidos, nas próximas décadas”. A explicação é do professor em Relações Internacionais da FACAMP e pesquisador da USP Pedro Donizete da Costa Júnior.
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Da Redação com informações do G1 e da CNN
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