O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse a aliados que desistiu de sua pré-candidatura à Presidência da República. Ele tampouco vai tentar a reeleição ao governo do Estado de São Paulo. Sua decisão, até o momento, é deixar a vida pública ao final do seu mandato, em dezembro deste ano. O anúncio da desistência deve ocorrer ainda nesta quinta-feira, 31/3.
Essa definição revoltou aliados do vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), que pressionam pela saída de Doria do cargo e falam até em impeachment. Como governador, o vice teria a mídia espontânea do cargo e possibilidade de negociar com a caneta na mão. Além disso, a avaliação é que ele teria dificuldade em se distanciar dos índices de rejeição de Doria caso ele se mantenha no governo.
A informação da desistência foi repassada para os seus auxiliares e para o vice-governador. Não houve um planejamento anterior e a equipe dele foi pega de surpresa. A manhã desta quinta-feira, está sendo de reuniões tensas no Palácio dos Bandeirantes. Aliados de Doria tentam mudar a sua decisão, mas têm pouca esperança.
Doria conquistou o direito de concorrer à Presidência pelo PSDB depois de derrotar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio nas prévias do partido, realizadas em novembro do ano passado. De lá para cá, porém, não conseguiu desarmar a resistência interna de caciques do PSDB e tampouco reduziu a sua rejeição nas pesquisas de intenção de voto.
O anúncio de Eduardo Leite de deixar o governo do Rio Grande do Sul e a indicação de que poderia, sim, disputar novamente a candidatura, tornou a situação ainda mais complicada para Doria.
Derrotado nas prévias tucanas, Leite mantinha conversas com o PSD e avaliou concorrer ao Palácio do Planalto pelo partido, mas desistiu da mudança. Ele anunciou terça-feira, 28/3, que renunciará ao cargo de governador e que decidiu permanecer no PSDB.
O anúncio de Doria favorece o governador gaúcho. Sem um candidato pré-definido no partido, e com a simpatia dos partidos de centro, Leite pode ser ungido candidato do grupo. Mas ainda não está claro se isso irá, de fato, ocorrrer.
Doria havia programado para esta quinta-feira a desincompatibilização do cargo para ser candidato a presidente. Às 16h, uma série de prefeitos tucanos estariam na sede do governo paulista.
O governador de São Paulo cancelou parte da sua agenda. Manteve só uma ida à B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. Também fará um pronunciamento no Palácio dos Bandeirantes, às 16h, horário que seria realizada a cerimônia com os prefeitos.
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Da Redação com informações do Poder360 e G1
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