O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi convencido por aliados a tirar Milton Ribeiro do comando do Ministério da Educação (MEC). Alguns aliados defenderam uma licença de Ribeiro, mas a preferência é pela demissão. A decisão de Bolsonaro pela saída do ministro pode ser anunciada ainda nesta segunda-feira, 28/3, segundo interlocutores próximos ao presidente.
Ribeiro está no centro de uma crise no MEC, que se intensificou na semana passada. O jornal “Folha de S. Paulo” revelou um áudio que mostra o ministro, em uma reunião com prefeitos, dizendo que, a pedido de Bolsonaro, repassa verbas do ministério a municípios escolhidos por pastores.
Na esteira da revelação do áudio, começaram a surgir denúncias de prefeitos de que os pastores favorecidos no MEC cobravam propina dos municípios para a liberação das verbas. Entre os pedidos de propina relatados estavam, segundo os prefeitos, depósitos de R$ 15 mil e pagamentos em ouro. A PF já abriu inquérito para investigar eventuais irregularidades em repasses do MEC.
A saída de Ribeiro do MEC foi acertada em um encontro entre o ministro e o presidente, na noite de domingo. Segundo interlocutores de Bolsonaro, a crise só tende a aumentar e novas denúncias devem ser divulgadas. Com isso, quem ficará mais desgastado é o próprio presidente, em um ano eleitoral. No lugar de Milton Ribeiro, interinamente, deve ficar o secretário-executivo, Victor Godoy Veiga.
O centrão está de olho no cargo, mas ainda não foi definido quem assumirá a pasta. Nos bastidores comenta-se que um nome ligado ao ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PL), poderia se sentar na cadeira, mas o Planalto ainda faz cálculos eleitorais quanto à indicação, sob o temor de perder um cargo evangélico, a poucos meses do pleito.
Logo que a crise estourou, Bolsonaro resistiu a demitir Milton. O ministro é considerado uma escolha pessoal do presidente para o MEC.
Em sua live semanal, na quinta-feira, 24/3, o presidente chegou a dizer que colocaria a “cara no fogo” pelo ministro. “O Milton, coisa rara de eu falar aqui. Eu boto minha cara no fogo pelo Milton, minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia com ele”, declarou Bolsonaro.
—-
Da Redação com informações do G1 e Veja
Foto: Divulgação