A Polícia Federal (PF) intimou o presidente Jair Bolsonaro (PL) a depor no inquérito sobre o vazamento de dados de uma investigação sobre um ataque hacker aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018.
Bolsonaro divulgou os documentos sigilosos em seu perfil no Twitter em agosto deste ano. A divulgação se deu durante a época em que o presidente atacava os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o voto impresso e auditável fosse aprovado.
Questionada pelo Poder360, a PF afirmou que “não fornece detalhes acerca de eventuais envolvidos em suas atividades”. O jornal digital também perguntou se há uma data definida para o depoimento, mas não obteve respostas.
A PF abriu um inquérito para apurar o vazamento de uma investigação sigilosa do órgão sobre a invasão. Quem determinou a abertura foi o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido do TSE . A decisão foi tomada em agosto de 2021.
A investigação busca entender como o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, ficou sabendo da investigação sigilosa tocada pela PF. Também tenta mapear os responsáveis pela divulgação dos documentos.
O compartilhamento do material por Bolsonaro ocorreu depois de sua live de 29 de julho. Na ocasião, o presidente pretendia colocar em dúvida a segurança da urna eletrônica e defender o voto impresso auditável.
O delegado Victor Neves Feitosa, responsável pela investigação do ataque hacker vazado, acabou afastado do caso, por determinação de Moraes. Para o TSE, a divulgação dos documentos sigilosos pode configurar o crime de divulgação de segredos. O ministro do STF citou ainda potencial prejuízo à administração pública.
Ainda em agosto, a Câmara dos Deputados rejeitou a PEC do voto impresso. Foi uma derrota para Bolsonaro, que tinha feito falas condicionando as eleições de 2022 à volta das cédulas de papel.
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Com informações do Poder 360