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sexta-feira, abril 4, 2025

Discurso de Bolsonaro em Manaus gera debate e discussão na Aleam

A fala do presidente Jair Bolsonaro eximindo a responsabilidade do Governo Federal sobre os valores elevados do gás de cozinha e combustível gerou discussão entre os deputados estaduais. Sinésio Campos chamou Bolsonaro de cômico e Péricles reforçou que o Governo Federal “está fazendo sua parte”

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O discurso do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) durante a visita oficial a Manaus nessa quarta-feira, 18/8, gerou debates e discussão entre os parlamentares na sessão desta quinta-feira, 19/8, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O deputado Sinésio Campos (PT) repudiou a declaração de Bolsonaro, que atribuiu a responsabilidade dos altos preços do gás de cozinha e dos combustíveis aos governos estaduais.

Para justificar sua argumentação, Sinésio Campos apresentou gráficos com comparativos mostrando a diferença dos valores dos combustíveis e do gás de cozinha no governo Dilma e no governo Bolsonaro, além de classificar a atitude do presidente como vergonhosa.

“Se não fosse trágico, seria cômica a vinda melancólica do presidente a Manaus. Ele entregou casas que não eram da sua gestão e falando algo extremamente vergonhoso, quando atribuiu o alto preço da gasolina e do gás aos estados. Em 2016, o gás de cozinha, aqui em Manaus, custava R$ 55,60. Hoje é R$ 110 uma botija de 13 kg. No interior deve estar chegando a R$ 200”, pontuou.

Na ocasião, Sinésio chamou o deputado Delegado Péricles (PSC) para a discussão, pedindo que o parlamentar defendesse o discurso de Bolsonaro com dados. “Eu quero que vossa excelência faça a defesa aqui, mas eu quero que faça com dados e negue o que estou afirmando. O Governo Federal diz que não tem responsabilidade com os aumentos de preço do gás e combustível. É trágico o cidadão pagar o preço que está pagando”, disse o líder do PT na Aleam.

Defesa – Da tribuna, Péricles reforçou o discurso de Bolsonaro, destacando que o que faz os preços dos combustíveis subir é o aumentar o ICMS, cobrados pelos estados, e fez um apelo para o governo estadual baixar o valor do ICMS dos combustíveis e gás de cozinha.

“Quero enfatizar o que o presidente falou aqui em Manaus. O valor que sai da refinaria é R$ 1,95 e o que encarece é o ICMS dos estados, que é calculado em cima da estimativa final do valor do combustível e é por isso que estamos com esse valor. O imposto federal está zerado. Eu faço um apelo ao Governo do Estado para reduzir a alíquota do combustível e do gás de cozinha. O Governo Federal vem fazendo a sua parte”, declarou Péricles.

Bate-boca – Após o pronunciamento, Péricles passou a palavra a Sinésio e o alfinetou dizendo que ele estaria demorando a deliberar o tema porque estaria pedindo “apoio do ex-presidente Lula para tentar esclarecer os fatos”. O líder do PT na Aleam rebateu dizendo que “o Lula tem conhecimento, o Bozo não entende nada de números”.

Mediação – O deputado Serafim Corrêa (PSB) pediu a palavra e esclareceu que o ICMS atribuído nos preços dos combustíveis e gás de cozinha no Amazonas é de 25%, destacando que é um valor que poderia ser reduzido, em pelo menos 7%, caindo o valor do imposto para 18%. Entretanto, pontuou que o Governo Federal também é responsável pela alta dos preços, uma vez que privatizou a Petrobrás.

“Eu entendo que o ICMS poderia ser reduzido de 25% para 18%, isso seria uma contribuição do Governo do Estado para diminuição dos preços do combustível e gás de cozinha. Agora, é claro que tudo isso tem como base cálculo o preço da Petrobrás, que a partir de determinado tempo priorizou seus acionistas e agora tem como base o preço internacional”, esclareceu.

Ainda em seu discurso, Serafim também repudiou as declarações de Bolsonaro e pontuou que, se tivesse acontecido com ele, não teria “ouvido calado”.

“Achei estranho e devo dizer aqui, até entendendo que foi por uma questão de educação, mas eu no lugar do governador Wilson Lima não teria ouvido calado. Quer dizer o presidente da República vem aqui ser homenageado, é recebido com tapete vermelho e ao final dá um xaveco para o governador. Que história é essa? Vem querer culpar você de algo, sendo que a culpa maior é do Governo Federal, embora o governo estadual cobre um percentual muito alto”, declarou Serafim.

 

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Por Redação

Ilustração: Marcus Reis

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