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quinta-feira, abril 3, 2025

Parada militar esvaziada demonstra isolamento de Bolsonaro e gera críticas de parlamentares

Nem mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão participou da parada militar convocada pelo presidente Bolsonaro. Movimentação bélica foi duramente criticada pelos senadores durante a abertura dos trabalhos da CPI da Covid, nesta terça-feira.

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Nem mesmo o vice-presidente da República Hamilton Mourão (PRTB) participou do desfile militar convocado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em Brasília. O que deveria ser uma demonstração de força do presidente, se configurou como uma parada militar esvaziada e sem a presença de autoridades de outros poderes, numa clara demonstração de insatisfação e isolamento institucional.

Além dos comandantes do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e da Marinha, Almir Garnier Santos; do chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno; do chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, Laerte de Souza Santos e do ministro da Defesa, Walter Braga Netto somente os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI); da Educação, Milton Ribeiro; da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos participaram do ato.

Abertura da CPI – Os senadores que compõem a CPI da Covid, no Senado, se pronunciaram durante a abertura dos trabalhos sobre a parada militar. Para o senador Omar Aziz (PSD), presidente da CPI da Covid, o evento configura “a ameaça de um fraco que sabe que perdeu”.

Em um pronunciamento forte, Aziz afirmou que a democracia é inegóciavel e que os senadores a defenderão com instrumentos legais, em cumprimento à Constituição Federal e que não aceitarão qualquer tentativa de intimidação ao parlamento.

“O presidente cria uma encenação, uma coreografia, para mostrar que tem o controle das Forças Armadas e pode fazer o que quiser com o país. É um absurdo inaceitável. Não é um teatro sem consequências, mas um ataque frontal à democracia que precisa ser repudiado”, destacou.

O senador lembrou, ainda, que desfiles como este servem para mostrar força de uma nação para conter inimigos. “O que não é o caso”, destacou.

“O papel das Forças Armadas é defender a democracia, não ameaçá-la. As Forças Armadas jamais podem ser usadas para intimidar sua população, seus adversários, atacar a oposição legitimamente constituída. Não há nenhuma previsão constitucional para isso”, ressaltou.

Omar encerrou o comunicado afirmando que não deixarão que haja atentados contra a democracia e enfatizou que a mesma é inegociável. “A democracia tem instrumentos para defender a própria democracia contra arroubos golpistas. Agressões à Constituição não são legítimas. Defender golpe não é aceitável. E defender o fim da democracia precisa ser punido com o rigor da lei. Nós, os democratas, estamos aqui a postos para defender a democracia e o nosso país com os instrumentos que a Constituição nos confere”.

Íntegra do pronunciamento:

Na mesma linha, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues disse que o desfile de blindados na Esplanada dos Ministérios foi patético. Em seu discurso o senador comparou o presidente ao ditador nortecoreano Kim Jong Un e afirmou que Bolsonaro tenta desviar a atenção dos escândalos envolvendo o Ministério da Saúde.

“É uma patética demonstração de fraqueza. Mais patético do que aqueles desfiles de Kim Jong Un. Lá, pelo menos é para demonstrar força para um inimigo externo. Este daqui é para demonstrar força diante de quem? Talvez seja não para demonstrar força, mas para esconder e desviar a atenção do que realmente importa, o balcão de negócios em que foi transformado o Ministério da Saúde”.

O deputado federal Zé Ricardo (PT) declarou, pelas redes sociais, que Bolsonaro coloca tanques na Praça dos Três Poderes pata intimidar. “No dia da votação da PEC 135/2019, Bolsonaro coloca tanques na Praça dos Três Poderes. Não iremos nos intimidar com demonstrações de força, que mais parecem demonstrações de fraqueza. Iremos pautar a PEC do Voto Impresso e ela será derrotada. Viva a nossa democracia”.

O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicanos), também pelas redes sociais, alertou que a PEC 135/9, do Voto Impresso, deve ser votada ainda hoje e perguntou: “Você já cobrou o seu deputado?”.

O senador Eduardo Braga (MDB) também se manifestou sobre a votação da PEC do Voto Impresso. Conforme ele, com 40 anos de vida pública ele já viu e já foi vítima do voto impresso e que as urnas eletrônicas garantiram maior transparência à disputa eleitoral.

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Da Redação

Fotos: Divulgação / Reprodução da Internet

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