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sábado, abril 5, 2025

Lutas e representatividade LGBTQIA+ no cenário político é debatido por pesquisadoras

Atualmente, o Brasil é um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+. Segundo a pesquisadora e ativista dos Direitos Humanos, a cada 19 horas um indivíduo de diversidade sexual é morto brutalmente

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No dia internacional do Orgulho LGBTQIA+, a professora e ativista de Direitos Humanos, Lidiany Cavalcante foi a convidada do quadro “Debate Político”, do Portal O Convergente, e falou sobre respeito social, políticas públicas para o movimento e representatividade política.

A pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) integrou o grupo de estudo nacional responsável por mensurar o índice de homofobia nas escolas através da “Organização Reprolatina: Saúde Sexual e Reprodutiva”.

Com objetivo de desenvolver estratégias para a melhoria da qualidade de atenção em saúde sexual e reprodutiva no Brasil, o projeto, encabeçado por mestres e doutores, analisaram 11 capitais brasileiras em pesquisa de cunho fenomenológico, para a verificação de homofobia com o foco nas escolas brasileiras. Um dos destaques negativos constatados na pesquisa foi que a cidade de Manaus é uma das capitais mais homofóbicas do país.

Pesquisa alvo de Fake News – Conforme a pesquisa, o trabalho ficou mais conhecido porque foi atrelado a uma Fake News, em que uma postagem em rede social associava dois homens fazendo sexo a uma cartilha voltada para crianças em idade escolar e dando a entender que ela havia sido produzida pelo Ministério da Educação (MEC). A Fake News foi bastante utilizada durante a campanha presidencial de 2018.

“Como proposta para o enfrentamento da LGBTfobia nas escolas, a organização propôs a criação de um material pedagógico para professores. A ideia seria trabalhar esse assunto com os professores, para que eles tivessem um Norte para trabalhar com os alunos. Então, aquela ideia de que surge uma cartilha, que vai sexualizar crianças a partir de cinco anos, não existe”, reforçou.

Ataques – Atualmente, o Brasil é um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+. Segundo Cavalcante, a cada 19 horas um indivíduo de diversidade sexual é morto. Questionada sobre os fatores que levam a tantos ataques, a pesquisadora explicou que a violência é uma bagagem que provém do período de agressividade da época de colonização do Brasil.

“Uma pessoa, que tenha uma média de vida de 35 anos, está condenada a morrer vítima de homicídio e suicídio em decorrência das opressões sociais e culturais que são impostas dentro desse modelo. Isso é devastador. Essa é, infelizmente, a realidade que nós temos no nosso Brasil”, lamentou a pesquisadora.

Cenário Conservador – De acordo com a pesquisadora, a sociedade é desenhada dentro de um conceito heteronormativo, onde os diferentes são vistos como transgressores. Dentro do público LGBQIA+, o seguimento trans é o mais afetado. A pesquisadora alarmou que a média de vida de uma pessoa trans é de 35 anos de idade. O de um homem hétero é 74 e mulheres 76 anos, de acordo com dados do IBGE.

“O hétero não morre por ser hétero, ele morre em decorrência de um vírus HIV, em decorrência de acidente de trânsito, por homicídio qualificado, mas os homicídios que são caracterizado LGBTQIA+ são homicídios que mostram, verdadeiramente, requinte de crueldade relacionados à sexualidade”, disse.

Representatividade política – Apesar das 290 candidaturas de travestis, mulheres e homens transexuais e demais pessoas trans registradas nas últimas eleições, de acordo com mapeamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o país tem apenas 80 vereadores eleitos na última eleição.

“A ideia de nós termos lideranças que possam fomentar esse espaço político não é somente para lutar pelos direitos das pessoas LGBTQIA+, mas para lutar pelo movimento negro, pelo os das mulheres, para lutar por outros tantos movimentos que infelizmente ainda são vistos como minorias sociais. Então é fundamental que nós tenhamos essas lideranças insistindo para entrar nesse cenário”, finalizou Lidiany Cavalcante.

Confira o Debate Político:

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Por Juliana Freire

Foto: Marcus Reis

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